PT do Rio Grande do Sul racha em discussão sobre candidatura única ou apoio ao PDT
BRASÍLIA – O PT do Rio Grande do Sul está rachado com duas alas que divergem sobre qual deve ser a posição do partido para a eleição ao governo do Estado. Enquanto um grupo defende o apoio petista à ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT), outro prepara a todo vapor a candidatura do presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Edegar Pretto.
Além da reivindicação feita pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em reunião no início deste ano, de apoio a Brizola em troca da aliança pedetista em outros Estados, petistas gaúchos também estão de olho em pesquisas que mostram a ex-deputada estadual empatada com o deputado federal Luciano Zucco (PL) no segundo turno.
O presidente do PDT levou Brizola para o gabinete da Presidência em Brasília e, segundo apurou o Estadão/Broadcast, o clima foi amistoso e Lula demonstrou ter boas impressões com a postulante do PDT. Mesmo assim, o apoio de Lula, que dará a palavra final em todas as chapas petistas aos governos estaduais, não foi firmado.

Além do apoio a Brizola, Lupi também solicitou a Lula o apoio do PT em Minas Gerais e no Paraná. Sobre Minas, o dirigente pedetista ouviu do presidente que ele insiste na candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSD) ao Palácio Tiradentes. Desta forma, uma aliança com o PDT depende unicamente da posição do pré-candidato da sigla, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil. A aliança no Paraná está encaminhada em torno do deputado estadual Requião Filho.
Já sobre o cenário gaúcho, o chefe do Executivo disse que a definição depende de uma costura no Estado. Em entrevista ao Estadão/Broadcast, Lupi disse que “respeita” a decisão do PT em discutir o lançamento da candidatura de Edegar, porém, ele afirma que isso não seria “muito inteligente” visto o potencial de Juliana nas pesquisas.
“Nós respeitamos o direito de cada partido apresentar candidatura, partido existe para isso. Acho que não seria muito inteligente essa divisão. Por isso, eu luto para estar unido. Juliana está bem colada com o candidato do PL e, no segundo turno, colocam ela como a única que venceria o candidato do PL. Mas não é uma coisa simples. O PT sempre tem candidato no Rio Grande do Sul. Eu tenho que respeitar cada partido, respeitar as suas questões internas, mas eu estou lutando, costurando e pedindo esse apoio”, disse Lupi.
De acordo com interlocutores dos partidos, a ala favorável ao apoio a Juliana Brizola é encabeçada pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS), que enxerga que o apoio à ex-deputada estadual poderia alavancar a candidatura dele ao Senado. Ao Estadão/Broadcast, ele nega haver um racha e diz que Edegar é o candidato dele ao Palácio Piratini. Neste desenho, o presidente da Conab seria o candidato a vice da pedetista.
O grupo que defende a candidatura conjunta com o PDT, com Juliana na cabeça de chapa e Edegar com vice, alega que fortalecer o Senado é prioridade nacional do partido e que a candidatura do Estado não pode ser pensada descolada do cenário nacional. A intenção do grupo é unificar apoio da esquerda em torno da candidatura de Pimenta ao Senado.
Aliados de Pimenta afirmam que o Estado é uma das poucas prioridades do PDT na costura com o PT e que o Rio Grande do Sul não pode colocar esse acordo em ameaça.
Já aliados de Edegar preparam a pré-candidatura dele e afirmam que o presidente do PT, Edinho Silva, é favorável a uma chapa liderada pelo PT. Segundo esses interlocutores, apoiar Brizola poderia acarretar na desmobilização da legenda no Estado. Tanto o PT quanto o PDT desejam ter no palanque membros de partidos de esquerda, como o PCdoB e o PV.
O Estadão/Broadcast procurou o presidente do diretório gaúcho do PT, Valdeci Oliveira, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
Enquanto o PDT e uma ala do PT tentam convencer Lula e o diretório estadual a apoiar Juliana Brizola, Edegar percorre regiões do Estado para angariar apoio à candidatura dele.
Juliana e Edegar têm familiares com ligação histórica com Lula
Os dois possuem familiares com ligação histórica com Lula. Juliana é neta do ex-governador do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul Leonel Brizola, que protagonizou apoios e embates com Lula, sendo candidato a vice na campanha derrotada do presidente ao Planalto em 1998.
Já Edegar é filho de Adão Pretto, um dos fundadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), deputado federal do PT gaúcho por cinco mandatos e aliado histórico do chefe do Executivo.
