27 de março de 2026
Politica

Buzzi diz que STJ entregou dados incompletos à sua defesa: ‘Grande absurdo’

O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirmou que a Corte forneceu dados incompletos à sua defesa na sindicância em que é investigado por assédio sexual, o que chamou de “grande absurdo”. Segundo os advogados, o tribunal não entregou todos os arquivos do computador do magistrado afastado e omitiu trechos das gravações do sistema interno de câmeras em frente ao seu gabinete.

“Há gravações que trazem apenas 15 minutos do dia, e além deste fato grave, outras, pior ainda, trazem exatamente o mesmo momento filmado de um 1 segundo, e que é repetido por 24h, como se fosse a filmagem de um dia inteiro. Convenhamos, um grande absurdo. Os vídeos fornecidos estão danificados, imprecisos e alguns estão vazios”, afirmou ao STJ a defesa de Buzzi, que foi ao tribunal receber os arquivos na manhã do último sábado, 14.

Ainda de acordo com os advogados do ministro, a defesa não recebeu todos os arquivos do computador do ministro. Faltaram, por exemplo, os documentos com registros de entrada e saída de todos os funcionários do gabinete do magistrado.

Ministro Marco Buzzi, do STJ, alvo de apurações no tribunal por supostos crimes sexuais
Ministro Marco Buzzi, do STJ, alvo de apurações no tribunal por supostos crimes sexuais

Ministro do STJ é alvo de duas denúncias de assédio

Desde o mês passado, Buzzi está afastado do cargo no STJ e é alvo de uma sindicância por assédio sexual. No próximo dia 14, os ministros decidirão em plenário se vão abrir um processo administrativo disciplinar (PAD) contra o magistrado.

A sindicância apura dois casos diferentes, um de importunação e outro de assédio sexual. Buzzi nega ter cometido “qualquer ato impróprio”.

A primeira denúncia foi feita pela filha de um casal de advogados amigos do ministro. A família passava um final de semana na casa de praia dele, em Santa Catarina. No depoimento, a jovem de 18 anos relatou que foi agarrada à força pelo ministro dentro do mar.

O segundo caso é de uma funcionária terceirizada do STJ, ex-assessora de Buzzi. A servidora relatou ao CNJ cinco episódios em que teria sido assediada sexualmente e ainda um outro de assédio moral durante o período no qual trabalhou no gabinete.

Dino ordenou fim de aposentadoria compulsória

O Supremo Tribunal Federal (STF) e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) também apuram o caso Buzzi. Se Buzzi receber a maior punição do CNJ, terá aposentadoria compulsória, com remuneração proporcional ao tempo de serviço.

Nesta segunda-feira, 16, contudo, o ministro Flávio Dino, do STF, acabou com essa pena, que era muito mais branda do que a aplicada a outras carreiras públicas. Dino ordenou que infrações graves devem resultar na perda do cargo.

 

 

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