Fraude no INSS: Filha de Camisotti movimentou R$ 5 mi e Coaf aponta transferências incompatíveis
A empresária Gabriela Camisotti, filha do empresário Maurício Camisotti, preso por suspeita de atuar nas fraudes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), movimentou R$ 5 milhões ao longo de um ano e dois meses, com transferências incompatíveis com seu patrimônio. Os dados, obtidos pela Coluna do Estadão, estão em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Para o relator da CPI do INSS, senador Alfredo Gaspar (União-AL), Gabriela é ligada diretamente a duas empresas de Maurício que receberam verba descontada ilegalmente de aposentados. Procuradas, Gabriela Camisotti e a defesa de Maurício Camisotti não responderam. O espaço segue aberto.
Gabriela tem 27 anos e é autônoma, segundo o relatório do Coaf. O documento mostra que ela movimentou R$ 5 milhões em uma conta bancária entre abril de 2024 e maio de 2025. Antes desse período, em novembro de 2023, o Coaf identificou que ela recebeu R$ 2,2 milhões do pai, Maurício Camisotti.
“Movimentação de recursos incompatível com o patrimônio, a atividade econômica ou a ocupação profissional e a capacidade financeira do cliente”, alertou o órgão de combate à lavagem de dinheiro.
No requerimento para quebrar os sigilos de Gabriela, o relator da CPI do INSS afirmou que ela é sócia da Brasil Dental Serviços Compartilhados e diretora do Grupo Rede Mais. As duas empresas são ligadas a Maurício Camisotti e “receberam recursos desviados dos aposentados”, escreveu Alfredo Gaspar.
Camisotti foi detido pela Polícia Federal (PF) em setembro, na mesma operação que prendeu o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. Segundo as investigações, Maurício Camisotti é suspeito de ser sócio oculto de uma das associações envolvidas no esquema.

Negócios em família
Outro filho de Camisotti, o empresário Paulo Otávio Camisotti, prestou depoimento à CPI do INSS no mês passado. Ele, que também é sócio da Rede Mais Saúde, fcou em silêncio por 86 vezes diante das perguntas dos parlamentares, amparado por um habeas corpus do Supremo Tribunal Federal.
Maurício Camisotti é apontado pela PF como o dono da Associação de Moradia Beneficente de Cidadania (Ambec), entidade acusada de desviar dinheiro de aposentados e pensionistas do INSS.
