26 de março de 2026
Politica

Desistência de Ratinho Jr. torna escolha de Kassab mais importante para os rumos das eleições

A desistência de Ratinho Júnior de entrar na disputa presidencial tornou mais relevante a escolha de Gilberto Kassab para os rumos da disputa eleitoral. Há diferenças marcantes de estilo e posicionamento de Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. Escolher por um ou outro significa disputar eleitorados um pouco diferentes, bater mais ou menos em Lula e estar mais ou menos próximo de Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno.

Se a escolha for pelo governador de Goiás, Flávio ganha um aliado para fazer uma dobradinha a fustigar Lula no primeiro turno. É por isso que o bolsonarismo tende a preferir Caiado como pré-candidato. Ainda que signifique ter que disputar um mesmo eleitorado mais à direita. Com o fôlego já alcançado até aqui pelo senador e filho do ex-presidente, o grupo de Flávio entende que já tem um caminho pavimentado para o segundo turno e que, por isso, seria bom ter um PSD mais próximo para uma eventual aliança no segundo turno.

Governadores Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado ao lado do presidente do PSD, Gilberto Kassab
Governadores Ratinho Júnior, Eduardo Leite e Ronaldo Caiado ao lado do presidente do PSD, Gilberto Kassab

Se a escolha for por Eduardo Leite, o cenário muda. Ao contrário de Caiado, Leite tende a ocupar uma posição um pouco mais central, mais próxima do que se costuma indicar como terceira via. Em um primeiro turno, brigaria pelos votos dos descontentes nos dois polos e, em debates ou durante a campanha, tende a fazer uma crítica mais dura à polarização. Tenderia também a ficar neutro no segundo turno, o que ajudaria a liberar os demais integrantes do PSD a apoiarem quem quiserem no segundo turno.

Desde que as discussões sobre lançar uma candidatura começaram, Kassab sempre disse a interlocutores que o perguntavam sobre a escolha – quando estava ainda entre Leite e Ratinho – que a tendência era escolher um candidato mais à direita. Por isso Caiado seria agora o favorito. Para ele, como Lula reinava absoluto na esquerda e a eleição seria plebiscitária, faria mais sentido ter um candidato que dialogasse mais com um eleitorado em disputa, à direita.

Ocorre que de lá para cá as coisas mudaram um pouco. É que Flávio Bolsonaro avançou mais que o esperado e se fortaleceu como nome a ser batido na direita, reduzindo esse eleitorado em disputa. Além disso, há outros nomes brigando no espectro, como Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão). A via da direita parece mais congestionada agora do que antes.

De outro lado, em busca de um eleitor de centro, Flávio tentou parecer mais moderado, abrindo um flanco para alguém aparecer ainda mais à direita, com um discurso conservador mais puro e direto. Caiado poderia fazer esse discurso.

Certo é que Kassab precisa ser rápido na escolha, para enfim colocar sua campanha na rua e deixar tanto Caiado quanto Leite à vontade para deixarem seus cargos e organizarem melhor suas sucessões. A de Caiado parece mais azeitada.

 

 

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