28 de março de 2026
Cultura

Pod Potências levanta debate sobre cena cultural periférica no 2º dia do Movimento Boca de Brasa

Texto: Luiz Otávio Freire | Supervisão: Thaís Seixas

Fotos: Bruno Concha

A tarde do segundo dia do Movimento Boca de Brasa foi marcada por reflexões, trocas e valorização da produção artística das periferias de Salvador. O Teatro Gregório de Mattos sediou, nesta sexta (27), a gravação do Pod Potências, iniciativa da Fundação Gregório de Mattos (FGM) voltada ao fortalecimento da cultura e do empreendedorismo nos bairros populares da cidade.

Mediado pela cantora Larissa Luz – que também se apresentou na abertura do Movimento, na quinta-feira (26) – o primeiro momento do encontro pautou o tema: ‘Periferia – Força Criativa’. O quadro de convidados contou com nomes de referência na cena cultural soteropolitana, como José Eduardo Ferreira Santos, do Acervo da Laje, o artista plástico Alberto Pitta e a coreógrafa e bailarina Nildinha Fonseca.

José destacou a importância de políticas públicas que garantam a preservação e a difusão da memória artística do Subúrbio Ferroviário. Para ele, iniciativas como o Boca de Brasa representam um marco na forma de pensar a cultura na cidade. “Ver a FGM como um centro de redistribuição da cultura, povoando toda a cidade de uma forma nunca vista, é uma grande revolução. O que estamos vendo aqui é uma vanguarda”, afirmou.

Giovana Farias estava no público do primeiro Pod Potências e destacou o impacto do encontro, especialmente para as novas gerações de artistas. “Gostei muito de estar aqui e escutar essas vozes potentes falando de coisas tão importantes. Isso inspira a gente, enquanto jovens, a entender as trajetórias e a construir novos caminhos”, disse.

O corpo é palco: mulheres, território e enfrentamentos

No segundo momento da programação, o debate “O corpo é palco: mulheres, território e enfrentamentos” reuniu as artistas Larissa Luz, Aila Menezes, Dione e May Rodrigues, com mediação de Nathalia Leal, coordenadora do Projeto Boca de Brasa. A mesa promoveu um espaço de escuta e reflexão sobre os atravessamentos entre gênero, território e expressão artística.

Nathalia ressaltou a urgência de ampliar a visibilidade das mulheres no cenário cultural. “Este é um tempo em que precisamos colocar as mulheres em destaque, não só pela força e potência que têm, mas pela necessidade de demarcar esse lugar na sociedade, especialmente diante dos recorrentes casos de violência e feminicídio. É fundamental afirmar e garantir esses espaços”, destacou.

A cantora Aila Menezes reforçou a importância do Movimento Boca de Brasa como plataforma de fortalecimento artístico e político. Para ela, participar do projeto é também um reconhecimento de trajetória e compromisso com pautas sociais. “O Boca de Brasa é absolutamente necessário. Estar aqui é entender que estou no caminho certo, contribuindo com discussões importantes e agregando valor aos temas que são tratados”, afirmou ela, que foi uma das atrações musicais da edição de 2025.

Ao abordar o tema do corpo como território político, Aila destacou sua trajetória e os múltiplos marcadores que compõem sua identidade. Mulher periférica, criada em Pau da Lima, cantora de pagodão – gênero historicamente marcado pela presença masculina -, ela evidenciou como essas camadas se entrelaçam em sua atuação artística. “Meu corpo é um corpo fora dos padrões, e ele também é discurso. Estar no palco é afirmar esse lugar, é fazer parte de um movimento de transformação social”, disse.

A gravação do Pod Potências integrou a programação do 9° Movimento Boca de Brasa, que ainda trará shows da rapper Duquesa e do grupo ÀTTØØXXÁ, além das mais de 30 horas de atividades gratuitas abertas ao público que se estendem até este sábado (28).

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