19 de maio de 2026
Cultura

Encontro no Espaço Cultural da Barroquinha destaca importância das Bibliotecas Comunitárias

Texto: Ascom FGM

Fotos: Carla Lucena | Ascom FGM

O Espaço Cultural da Barroquinha se transformou em um polo de debate, acolhimento e mobilização social na tarde desta segunda-feira (18). A Fundação Gregório de Mattos (FGM), por meio da Gerência de Bibliotecas e Promoção do Livro e da Leitura (Gebib), realizou o III Encontro de Bibliotecas Comunitárias. O evento reuniu gestores públicos, lideranças comunitárias de diversos bairros de Salvador e delegações de outros estados para dialogar sobre o papel das bibliotecas na proteção social e no enfrentamento à violência contra crianças e adolescentes, em consonância com o Maio Laranja.

A escolha da data não foi casual. O dia 18 de maio marca o Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Unindo a potência da literatura à conscientização, o encontro promoveu mesas de debate, troca de experiências e apresentações culturais, reafirmando o compromisso da gestão municipal com as políticas de leitura e de salvaguarda social nos territórios periféricos.

Movimento comunitário

O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, destaca a importância das bibliotecas que nascem de forma espontânea nas comunidades de Salvador. “Esse movimento é apoiado desde que eu cheguei na Fundação Gregório de Mattos, quando percebi a existência dele. Através do setor de bibliotecas, viemos apoiando e tentando de todas as formas dar um suporte, porque é um movimento muito interessante que nasce nas comunidades — e eu gosto muito quando a própria comunidade se organiza”, destaca.

O presidente ressalta a relevância de pautar o Maio Laranja neste contexto. “A biblioteca dialoga diretamente com as crianças e adolescentes. Então, nada melhor do que mobilizá-las para participarem desse movimento importantíssimo de prevenção. É um tema velado, que muitas vezes acontece dentro da própria família. Temos que falar sobre isso para dar luz, chamar a atenção e mobilizar familiares, vizinhos e parentes para que denunciem, para que isso não se propague”, pontuou, celebrando ainda a presença de lideranças locais e de outros estados nas mesas de discussão.

Intercâmbio

Representante de Fortaleza com o presidente da FGM

O encontro deste ano consolidou a maturidade da política pública de leitura da capital baiana, promovendo uma conexão direta entre as bibliotecas municipais e as comunitárias de bairros como Boca do Rio, Escada, Valéria e Águas Claras. Além disso, o evento expandiu suas fronteiras ao receber instituições convidadas de Fortaleza (CE), Aracaju (SE) e Recife (PE).

Jane Palma, gerente de Bibliotecas e de Promoção do Livro e Leitura da FGM, classifica o evento como um marco agregador e projeta ações ainda maiores para o futuro, inspiradas nas trocas de experiências com outras capitais, a exemplo da participação da Biblioteca Comunitária Sorriso da Criança, de Fortaleza.

“Discutimos o grande tema do mês de maio, dividindo com as bibliotecas de vários pontos da cidade o que podemos fazer para termos um ‘Maio Laranja’ durante todo o ano, um ano de proteção aos nossos jovens e nossas crianças. Esse encontro foi reralizado para unirmos forças contra esse grande mal que assola a sociedade”, afirma Jane.

“Tivemos a participação importante da representante da Biblioteca Comunitária Sorriso da Criança, que veio de Fortaleza para mostrar o que eles estão fazendo lá e, quem sabe, unir forças com a Prefeitura de Salvador para fazer, no ano que vem, um movimento ainda maior. Para nós, que trabalhamos com educação, cultura e leitura, foi um evento positivo e, principalmente, agregador, unindo bibliotecas municipais e comunitárias nessa grande defesa”, completa a gerente.

Representantes de bibliotecas apresentam ações desenvolvidas. Foto: Thaís Seixas | Ascom FGM

Afeto como prevenção

A articulação transversal entre a cultura e a assistência social foi um dos pontos altos do debate. A Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ) marcou presença ativa no evento. Disjane Pereira, coordenadora de Política para Infância e Adolescência da SPMJ, explicou como o ambiente da biblioteca e a literatura são canais potentes para abordar o tema com as crianças sem criar tabus.

“A importância é porque as bibliotecas, as pessoas que as frequentam e os profissionais têm que compreender o tema como algo diário, cotidiano. O Maio Laranja tem que estar em todos os espaços. Às vezes, a contação de história, a maneira como falamos sobre violência e os livros que abordam o assunto estão nesses espaços”, explica.

Para a coordenadora, o ambiente literário desarma as barreiras do medo. “É uma maneira de divulgar mais e mostrar para as famílias que podemos falar de alguns assuntos sem tanto tabu, mostrando através de uma historinha que, se acontecer algo suspeito, a criança deve buscar pessoas de confiança. Esse espaço que a Gregório de Mattos está proporcionando é para mostrar que esse tema é nosso, porque estamos falando com as crianças de forma lúdica, com arte, educação e cuidado.”

Fernando Guerreiro e Jane Palma

O encerramento do III Encontro de Bibliotecas Comunitárias foi marcado pela sensibilidade artística. O grupo História de Raiz subiu ao palco do Espaço Cultural da Barroquinha para apresentar um esquete temático, sintetizando através do teatro e da ludicidade as reflexões do dia, emocionando o público presente e reforçando que a literatura e a arte são, acima de tudo, ferramentas de transformação e proteção social.