8 de junho de 2026
Salvador

Prefeitura de Salvador e Petrobras lançam programa para transformar óleo usado em biodiesel com geração de renda para cooperativas

Foto: Betto Jr. / Secom PMS

Texto: Gilvan Santos e Thiago Souza / Secom PMS

A Prefeitura de Salvador e a Petrobras Biocombustível (PBIO) lançaram nesta segunda-feira (8), no Doca 1, no Comércio, o programa de Óleos e Gorduras Residuais (OGR), voltado à ampliação da coleta e do reaproveitamento de óleo de fritura para a produção de biodiesel. A ação busca reduzir o descarte irregular do material, além de fortalecer cooperativas de reciclagem e ampliar a geração de renda no município.

Durante o evento, o prefeito Bruno Reis assinou o decreto que institui o programa e que abre o edital para credenciamento de cooperativas que atuarão na coleta do resíduo. A iniciativa também prevê a inclusão das baianas de acarajé e de estabelecimentos comerciais, como restaurantes, bares e shoppings, na cadeia de coleta do óleo residual. O material recolhido será destinado à unidade da Petrobras Biocombustível em Candeias, onde servirá de matéria-prima para a produção de biodiesel.

“Estamos falando de uma ação que reúne economia circular, logística reversa e proteção ao meio ambiente. As baianas de acarajé, que representam um patrimônio cultural da nossa cidade e da Bahia, passam a ter uma fonte adicional de renda, assim como as cooperativas de catadores, que terão nova geração de receita. É um ecossistema em que todos ganham”, destacou o prefeito.

O gestor municipal ressaltou ainda que o reaproveitamento do óleo contribui diretamente para a redução dos impactos ambientais e para o enfrentamento das mudanças climáticas. “Portanto, esse programa é mais uma iniciativa que reafirma o compromisso de Salvador com a sustentabilidade, ao mesmo tempo em que fortalece o trabalho de homens e mulheres que vivem da reciclagem e ajudam a construir uma cidade mais resiliente”, acrescentou.

Funcionamento – As cooperativas cadastradas serão responsáveis por comprar o óleo usado das baianas de acarajé pelo valor de R$ 3 por cada quilo coletado – volume similar a um litro. No caso de restaurantes e demais estabelecimentos comerciais, o pagamento será de R$ 2 por quilo. Atualmente, há um projeto-piloto em funcionamento nos mesmos moldes, atendendo cerca de 100 baianas de acarajé na cidade.

O óleo coletado pelas cooperativas será posteriormente comercializado com a Petrobras Biocombustível. O valor pago pela empresa varia conforme o mercado, mas atualmente gira em torno de R$ 7 por quilo do produto.

O titular da Secretaria de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-Estar e Proteção Animal (Secis), Ivan Euler, lembrou que a escolha da data para o lançamento do programa OGR coincide com o Dia Mundial dos Oceanos, celebrado nesta segunda (8).

“Tem tudo a ver com a data de hoje. Estamos falando do óleo de dendê e do óleo de cozinha que, muitas vezes, acabam sendo descartados em bocas de lobo e que, consequentemente, vão para rios e para o mar. A proposta é coletar o máximo possível desse material para dar uma destinação adequada e sustentável”, explicou.

Além disso, Ivan Euler pontuou que tanto as quituteiras quanto estabelecimentos comerciais poderão receber um selo de sustentabilidade. Para conquistar a certificação, será obrigatório contratar uma cooperativa credenciada pelo programa. “Dessa forma, fortalecemos a economia circular e garantimos a inclusão socioprodutiva dos trabalhadores da reciclagem”, disse.

Segundo o presidente da PBIO, Alex Gasparetto, o combustível produzido será destinado tanto ao mercado interno quanto à exportação. Ele lembrou que a empresa já atua com cooperativas de catadores na Bahia e em Minas Gerais, mas esta é a primeira iniciativa desenvolvida em parceria direta com um município.

“No ano passado, coletamos cerca de quatro toneladas de óleo por meio das cooperativas, mas isso ainda é muito pouco. Com esse convênio, acreditamos que será possível ampliar esse volume para algo entre 30 e 40 toneladas por mês”, projetou Gasparetto.

Pontos de coleta – Além do programa OGR, Salvador já conta com uma ampla iniciativa de participação popular para coleta de resíduos, inclusive óleo usado, por meio dos 20 pontos do Recicla Capital espalhados pela cidade.

“Cada litro de óleo entregue rende cerca de 400 pontos, equivalentes a R$ 1 em descontos na conta de energia elétrica, além de outros descontos oferecidos pelo programa de reciclagem. Com isso, o cidadão deixa de jogar o óleo na pia, evita a contaminação ambiental e ainda recebe benefícios”, reforçou Ivan Euler.