16 de junho de 2026
Cultura

FGM celebra mestres do Samba Junino com entrega de premiação no Arraiá da Prefs

Texto: Luiz Otávio Freire

Foto: Lane Silva

A noite do Samba Junino no Arraiá da Prefs foi marcada pela movimentação e valorização da cultura soteropolitana.  A cerimônia realizada neste domingo (14) contou com a entrega de placas de reconhecimento aos mestres e mestras do Samba Junino, simbolizando não apenas um prêmio, mas a validação de décadas de resistência nas ruas e bairros da capital baiana.

Para Vagner Rocha, diretor de Patrimônio e Equipamentos da Fundação Gregório de Mattos (FGM), a noite dedicada ao Samba Junino é essencial para valorizar a tradição e o legado deixado pelos precursores. “Premiar os mestres e mestras é também reconhecer esse legado dos que vieram antes, dos que abriram caminho para que hoje a gente tenha essa manifestação tão forte, tão viva”, afirma. Vagner ressalta ainda a identidade única do período festivo na capital, onde o forró divide espaço com o samba, celebrado com vitalidade e vibração.

A importância da premiação é reforçada por Silvia Russo, chefe de gabinete da FGM, que destaca a alegria de homenagear os detentores desse saber em uma festa tão significativa. “É uma maravilha estar aqui no Arraiá da Prefs, e mais uma vez com a presença o samba junino, que é um patrimônio imaterial importante da nossa cidade, e dando essa premiação tão merecida aos mestres”, declara.

A noite contou com apresentações de outro 6 grupos na Arena Arromba Chão

Resistência e Identidade Cultural

Para os detentores desse saber, a placa recebida carrega um valor que ultrapassa o objeto físico. Gilberto Borges, do grupo Leva Eu, expressou a importância de deixar esse registro para a família. “Hoje viemos buscar nossa plaquinha para deixar de recordação até meus filhos, meus netos chegarem e dizer de onde saiu isso aqui”.

O sentimento de conquista é compartilhado por Pocket Neves, rainha do samba duro e integrante da Liga dos Sambadeiros Unidos, que celebrou o reconhecimento como Mestra do Samba Junino. “A sensação de receber esse prêmio é uma maravilha”. Da mesma forma, Renilda da Conceição Costa, presidente do grupo Meu Samba, destaca que a premiação da FGM é fundamental para fortalecer os grupos que mantêm a tradição viva nos bairros, como o Engenho Velho de Brotas, local de origem do Samba Junino. 

O evento também serviu para relembrar a trajetória de luta pelo reconhecimento da manifestação. Mário Baffafé, da Federação do Samba Duro, ressalta que a oficialização do Dia Municipal do Samba Junino em 17 de abril e a inclusão do São João do Engenho Velho no calendário oficial são frutos de uma resistência de quase 50 anos. “Estamos caminhando, mas com fé vamos chegar lá”, afirma o mestre, enfatizando a necessidade de passar o bastão para as crianças e netos.

Mestres e Mestras ganham placas em reconhecimento à trajetória no samba junino. Foto: Lane Silva

Além do valor cultural, o Samba Junino foi exaltado por seu papel social nas periferias. Vagner Shrek, do Samba Duro VS, define o movimento como um “conservatório de música na periferia”, sendo o primeiro contato de muitos jovens com instrumentos musicais e formando grandes artistas que levam a música baiana para o mundo.

Apoio financeiro

A valorização da tradição é impulsionada pelo edital da FGM que, nesta oitava edição, destinou R$ 400 mil a 30 grupos de Samba Junino. Esse incentivo é visto pelos líderes como um suporte vital para superar as dificuldades financeiras e garantir que a cultura local continue pulsando e inovando com novos ritmos.