21 de julho de 2026
Cultura

Circuito Mulheres Negras em Movimento promove mais de duas semanas de atividades gratuitas na capital

Salvador volta a celebrar a força, a ancestralidade e o protagonismo das mulheres negras com a segunda edição do circuito Mulheres Negras em Movimento, promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), no âmbito do programa Salvador Capital Afro.

O evento tem lançamento nesta quinta-feira (16) e segue até o dia 31 de julho, com apresentações artísticas, rodas de conversa, oficinas, ações de empreendedorismo, saúde, bem-estar e proteção social, ocupando diferentes espaços da cidade. A iniciativa terá como ponto alto um grande festival nos dias 25 e 26 de julho, na Praça Maria Felipa, no Comércio.

Neste ano, o circuito adota como conceito “Do Corre à Plenitude”. A proposta reconhece a trajetória de luta das mulheres negras, mas com atenção para o fato de que elas também merecem o direito ao descanso, lazer, cuidado, prosperidade e realização pessoal. Esse tema será o norte de toda a programação pensada pela gestão municipal para contemplar diferentes dimensões da vida desse público.

Segundo o diretor de Cidadania Cultural da Secult, Chicco Assis, o projeto nasceu para reconhecer o papel fundamental das mulheres negras na construção da identidade de Salvador. Para o gestor, a iniciativa vai além da valorização cultural e representa uma importante política pública voltada à equidade racial e ao desenvolvimento da cidade.

“O evento evoca o reconhecimento de que as mulheres negras movem a identidade, a cultura e a economia de Salvador. Sendo a capital mais negra fora da África, Salvador assume um papel importante de valorização e proteção da cultura afrocentrada. As mulheres negras são guardiãs de saberes ancestrais, das feiras aos terreiros, da gastronomia à música”, afirma.

Ainda conforme Chicco, ao ampliar a visibilidade e fomentar ações destinadas para essas mulheres, a Prefeitura garante uma política cultural democrática e transformadora. “Na programação, isso se traduz no equilíbrio das ações. Tem espaço para o fomento econômico e a formação, que apoiam o ‘corre’, mas também tem espaço para o respiro, para rodas de conversa, autocuidado e a estética. E tem ainda as apresentações culturais, que celebram a beleza, a arte e o lazer”, completou.

A programação foi estruturada em quatro grandes eixos: Prosperidade, Cuidado, Proteção e Celebração, reunindo ações integradas entre diversas secretarias municipais e parceiros. A proposta, conforme do diretor de Cidadania, inclui capacitações para empreendedoras, atividades voltadas à saúde física e mental, ações de enfrentamento à violência contra a mulher, experiências de autocuidado, oficinas, programação infantil, feira de afroempreendedoras, apresentações culturais e ocupação de espaços públicos da capital.

“Uma programação que une cultura, empreendedorismo, bem-estar e proteção entrega exatamente as ferramentas que as mulheres negras precisam para liderar suas próprias histórias. O empreendedorismo e a formação geram autonomia financeira e emancipação. As ações de proteção garantem a segurança para que elas possam ousar e viver sem medo. O bem-estar, a cultura e a estética fortalecem a autoestima, lembrando-as de sua potência e ancestralidade”, exemplificou o gestor.

A primeira edição do circuito, realizada em 2025, impactou cerca de 18 mil pessoas, alcançou 20 bairros, ocupou mais de 25 espaços da cidade e reuniu aproximadamente 250 afroempreendedoras.