Salvador recebe lançamento de novela gráfica sobre Luiz Gama escrita por autores de Brasil e Angola
Salvador recebe, no próximo sábado (1º), o lançamento da novela gráfica “Luiz Gama, Artífice da Liberdade”, inspirada na trajetória de um dos maiores abolicionistas brasileiros. Antes da passagem pela capital baiana, a publicação será apresentada em São Paulo, nos dias 28 e 29 de julho, e, em seguida, segue para Luanda, em Angola, onde será lançada em 16 de agosto.
Realizada pela Talismã Arte e Cultura, a publicação tem roteiro original de Tenille Bezerra e textos assinados por ela, pelo escritor angolano Ondjaki e por Bruno Rodrigues de Lima, autor do livro Luiz Gama contra o Império, vencedor do Prêmio Jabuti Acadêmico de 2024. As ilustrações são do artista baiano Athos Sampaio.
Com 60 páginas, a novela gráfica apresenta a trajetória de Luiz Gama, advogado, jornalista, poeta e intelectual negro que libertou judicialmente cerca de 750 pessoas escravizadas no Brasil do século XIX. A publicação terá tiragem de 700 exemplares, que serão distribuídos gratuitamente para bibliotecas, centros comunitários, centros culturais e projetos de arte e educação da Bahia mediante cadastro no site oficial do projeto.
Publicação destaca trajetória de Luiz Gama. Foto: Divulagação
Além da versão impressa, o projeto inclui um audiobook e uma plataforma digital com conteúdos pedagógicos, entrevistas, materiais de pesquisa e trechos da obra em áudio, ampliando o acesso para pessoas com deficiência visual e baixa visão.
“A história de Luiz Gama é uma dessas trajetórias que iluminam a verdadeira história do Brasil. Conectar a existência dele aos jovens e crianças de hoje é uma afirmação não só do seu legado, mas a constatação de que somos nós o futuro de Luiz Gama, herdeiros da luta contra o racismo, pela justiça social e pelo fim da desigualdade”, afirmou a escritora e pesquisadora Tenille Bezerra, idealizadora do projeto.
Bruno Rodrigues de Lima destaca a relação de Gama com a educação. “Gama entendeu profundamente o valor da educação e procurou com todas as suas forças conquistá-la. Fundou escola, fundou biblioteca e, com isso, fez uma obra humanitária de primeira grandeza. Nós estamos aqui por causa dessa obra”, destacou.
Já Ondjaki ressalta a dimensão simbólica da parceria entre Brasil e Angola. “Luiz Gama nos ajuda a pensar liberdade como travessia coletiva. Há uma ponte simbólica muito forte entre Bahia e Angola, e esse livro nasce justamente desse diálogo entre memórias, afetos e futuros possíveis”, comentou.
Nascido em Salvador, em 1831, Luiz Gama foi vendido ilegalmente como escravizado pelo próprio pai aos nove anos de idade. Filho da africana livre Luiza Mahin e de um fidalgo português, aprendeu a ler de forma autodidata, conquistou judicialmente a própria liberdade e tornou-se um dos principais nomes do movimento abolicionista brasileiro. Além de advogado, foi jornalista, poeta, professor e intelectual, deixando um legado que a publicação busca apresentar às novas gerações por meio da linguagem dos quadrinhos.
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