Lixoduto de fibra de vidro que facilita descarte em encostas começa a ser testado em Salvador

Foto: Ascom Limpurb
Texto: Nilson Marinho/ Secom PMS
A Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) iniciou um projeto-piloto para modernizar os lixodutos utilizados em áreas da capital baiana onde a geografia dificulta a coleta tradicional de resíduos. O novo modelo é feito de fibra de vidro, material mais leve que o concreto armado usado nas estruturas antigas, o que facilita a instalação e a manutenção dos equipamentos.
Segundo Augusto Guanaes Farias, diretor de Operações da Limpurb, a cidade tem ao menos sete lixodutos antigos, com estruturas de concreto armado. Neste primeiro momento, cinco equipamentos serão utilizados como teste para avaliar o funcionamento do novo modelo antes da substituição do modelo antigo e ampliação das novas estruturas.
“O lixoduto, na sua origem, tem como finalidade principal resolver uma questão de logística em locais de difícil acesso. Geralmente, esses equipamentos são instalados em áreas onde há dificuldade para a chegada de um caminhão de coleta ou para a instalação de uma caixa próxima daquela comunidade ou localidade”, explica o diretor de Operações.
O projeto-piloto já chegou ao Garcia, onde foi instalado um novo lixoduto com uma caixa de coleta na parte inferior. Outros dois pontos estão previstos para receber o equipamento. Um deles fica nos Barris, em frente à Ferreira Costa, onde existe um ponto de descarte irregular de resíduos na encosta. Outro será instalado na BR-324, na saída de São Caetano, também em uma área onde há registro de descarte de lixo na encosta.
A Prefeitura ainda analisa outros locais para a instalação dos equipamentos. Entre as áreas mapeadas estão pontos do Subúrbio e de Águas Claras, incluindo uma região próxima à nova rodoviária. Em Águas Claras, por exemplo, as obras na região interferem no acesso dos caminhões à área onde fica a caixa de coleta. Por isso, a Limpurb ainda realiza estudos para definir a melhor solução.
A estrutura funciona como uma espécie de canaleta, semelhante a um tobogã, instalada em um ponto mais alto, por onde os resíduos descem em direção a uma caixa localizada em uma área mais baixa.
Depois, o material é recolhido normalmente pelos caminhões e encaminhado para o Aterro Metropolitano Centro.
Os antigos lixodutos, por serem produzidos em concreto armado e ficarem expostos ao sol, à chuva e ao atrito provocado pelo descarte dos resíduos, sofrem desgaste ao longo do tempo. O novo modelo, feito de fibra de vidro, deve facilitar o transporte, a instalação e a manutenção dos equipamentos.
“Essa substituição acabava sendo muito custosa para a Prefeitura, porque era necessário utilizar máquinas para fazer o carregamento dessas canaletas de concreto armado. Como eram estruturas muito pesadas, também havia um trabalho maior para colocá-las em uma encosta. Então, nós resolvemos modernizar esse sistema, junto com as empresas de coleta, para facilitar tanto a manutenção quanto a visualização da população em relação ao lixoduto e estimular o descarte correto, evitando que o lixo fosse colocado nas encostas”, afirmou.
Os equipamentos em teste podem ser utilizados pelos moradores a qualquer momento. A orientação da Limpurb, no entanto, é que o descarte seja feito, sempre que possível, próximo ao horário previsto para a coleta. Os horários de passagem dos caminhões estão disponíveis no site da empresa.
“Quando acontece a coleta, provavelmente o próximo recolhimento será no outro dia. Então, precisamos pedir à população essa consciência de fazer o descarte e colocar o lixo na caixa próximo ao serviço. A orientação busca evitar que os resíduos permaneçam por longos períodos dentro da caixa, principalmente durante a noite”, explica o diretor.
A estrutura é destinada apenas ao descarte de resíduos domiciliares e não deve ser utilizada para restos de obras e outros materiais da construção civil. Esse tipo de material pode danificar o sistema de compactação dos caminhões de coleta.
O lixoduto também não deve receber objetos volumosos ou materiais que possam ficar presos na estrutura. A orientação é colocar os resíduos em sacos plásticos, para que possam deslizar pelo canal até a caixa de coleta.
“Se houver qualquer tipo de mau cheiro, a gente faz a lavagem. Não tem problema nenhum. É até mais fácil do que nos lixodutos de concreto que existiam anteriormente, nos quais a gente não conseguia realizar esse tipo de serviço com a mesma facilidade”, finaliza Augusto.
