11 de maio de 2026
Politica

Campanha política com IA já está na rua, fabrica petista tresloucada e ainda nem estamos em 2026

Caminhoneiros entram em greve para protestar contra a separação de um casal de influenciadores digitais; operários reclamam que atribuem à ETs a construção das pirâmides do Egito; e uma apresentadora do PTNews se esgoela repetindo que nada que acontece de errado no País é culpa de Lula. No mundo virtual essas mensagens estão disseminadas, mas é tudo falso.

Não há caminhoneiro grevista, nem operário contrariado e muito menos apresentadora petista fora de controle. São todos personagens criados por Inteligência Artificial e estamos ainda a mais de um ano das eleições de 2026.

Nesta semana, bolsonaristas, como quem faz piada, deram um empurrãozinho virtual para espalhar o vídeo da apresentadora petista fake. Num cenário de queda da popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a apropriação da IA no embate político soa como mais um vetor para manter o petista rumo ladeira abaixo.

Apresentadora criada por IA em vídeo disseminado por bolsonaristas
Apresentadora criada por IA em vídeo disseminado por bolsonaristas

Até aqui a nova versão IA da Google, o Veo 3, parecia ser brincadeira de criança. Cria personagens de aparência realíssima em situações jocosas, como colocar ETs e egípcios a falar em português e serve de diversão para os minutos que o celular nos devora na rotina cotidiana.

Já a tal apresentadora tresloucada petista é o primeiro passo. Começa como piada. Sabe-se lá onde vai parar. Oficialmente, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já aprovou uma resolução que veda o uso da chamada deepfake, quando um personagem real tem sua fala e ação alterada digitalmente para colocá-lo numa situação que não existiu.

A mesma resolução não veda completamente o uso da IA na política. Deixa lá expresso que, em caso de uso do recurso digital, isso precisa estar informado ao eleitor. Essa é a regra para o horário eleitoral. Já no mundo paralelo que viaja na velocidade de um zap a imaginação é o limite de quem quer usar o IA para assacar a honra alheia.

Nos tempos em que as redes digitais ainda engatilhavam, um político brasileiro se deu conta de que, para as campanhas, elas tinham um só destino e comentava para quem quisesse ouvir: elas servem para destruir reputações. Agora que estamos sendo iniciados no mundo das IAs tal função ganha capacidades exponenciais.

Se não bastassem os problemas reais como saber lidar com a fraude no INSS ou as joias contrabandeadas, temos a curto prazo a possibilidade de sermos apresentados a denúncias falsas de personagens falsos sobre candidatos verdadeiros. E pela rapidez com que essas estórias circulam, reparar o dano, no curto período eleitoral, pode ser tarefa hercúlea ou mesmo impossível.

 

 

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