6 de maio de 2026
Politica

Corrida pelo governo do Rio ganha tração e indica disputa entre Paes e aliado de Castro

RIO – Com a sinalização do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), de que deve renunciar ao cargo no próximo ano para um eventual embarque na disputa pelo governo do Estado, a corrida eleitoral pelo Palácio Guanabara ganha tração há pouco mais de um ano das eleições. O pleito começa a se desenhar com um embate entre o atual chefe do Executivo carioca e o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), com as bênçãos do governador Cláudio Castro (PL).

Vascaíno e boêmio, Paes chegou a “jurar” pelo Vasco e pela Portela, durante a campanha à reeleição no ano passado, que cumpriria o quarto mandato até o fim. Uma promessa com prazo de validade, como aliados sempre reconheceram nos bastidores.

Ex-secretário da Casa Civil Eduardo Cavaliere (PSD) e o prefeito Eduardo Paes (PSD)
Ex-secretário da Casa Civil Eduardo Cavaliere (PSD) e o prefeito Eduardo Paes (PSD)

No início deste mês, Paes deu a entender, pela primeira vez, que poderá renunciar ao cargo e atender a demanda de correligionários por uma candidatura ao governo do Rio no ano que vem. Ao lançar o Planejamento Estratégico 2025-2028, o prefeito afirmou que seu vice, Eduardo Cavaliere (PSD), vai assumir a cadeira “aos 30, 31 anos de idade” – o colega de partido completa 31 anos no dia 29 de setembro.

“O vice-prefeito, Eduardo Cavaliere, vai tirar de mim uma marca que era minha, a de prefeito mais jovem da história do Rio de Janeiro. Eu assumi aos 38, ele vai assumir aos 30, 31 anos de idade”, afirmou Paes.

Cavaliere trabalhou como ajudante de ordens na campanha de Paes ao governo do Estado, em 2018, ganhou a confiança do círculo mais próximo do prefeito e se tornou secretário de uma das pastas mais importantes da administração pública no terceiro mandato de Paes: a Casa Civil. Formado em Direito na Fundação Getulio Vargas (FGV), esteve também à frente da Secretaria Municipal de Meio Ambiente do Rio entre 2021 e 2023.

Eleito ao quarto mandato com uma ampla aliança, do PCdoB ao deputado Otoni de Paula (MDB), Paes conta com o apoio do principal cabo eleitoral em atividade no País em uma eventual disputa ao Palácio Guanabara: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). De acordo com aliados do prefeito, o vácuo de nomes competitivos da oposição na política fluminense e a indefinição do nome que será ungido pelo bolsonarismo e por Cláudio Castro, que deixará a cadeira para disputar o Senado, são argumentos usados no convencimento de Paes.

O adversário que ganha força na situação é Rodrigo Bacellar. Castro sinalizou, em fevereiro deste ano, que pode apoiar a candidatura do deputado. Em agenda no norte do Rio, Castro disse que “Deus está preparando” Bacellar para “coisas muito maiores” e, aos risos, mencionou a sucessão ao lado dele.

Castro pode renunciar ao cargo no início do ano que vem para que Bacellar concorra ao cargo sentado na cadeira de governador. Em uma costura política, o vice-governador do Rio Thiago Pampolha deixou o cargo em maio deste ano para assumir uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ). A decisão abriu espaço para que Bacellar se tornasse o primeiro na linha sucessório do governo.

Agora, o presidente da Alerj tenta convencer a família Bolsonaro e angariar o apoio do ex-presidente. Bacellar se reuniu com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Armação dos Búzios no início de julho para aparar arestas e se aproximar do grupo bolsonarista.

A relação entre o clã da zona oeste e o governador Cláudio Castro se estremeceu após o secretário estadual de Transportes, Washington Reis – um dos aliados mais próximos de Bolsonaro no Estado –, ser exonerado do cargo no dia 3 de julho por Bacellar, governador em exercício, durante viagem oficial de Castro. Flávio tentou interceder, mas Castro manteve a decisão.

Após a decisão, o senador afirmou, no dia 17 deste mês, que o apoio à candidatura de Bacellar para o governo do Rio foi precipitado, segundo o jornal O Globo.

“Houve precipitação na escolha do Bacellar, e o tema (candidatura para o governo do Rio de Janeiro) só será tratado agora, no ano que vem”, disse o filho do ex-presidente. Em maio, Bolsonaro tinha avaliado Bacellar para a disputa do Executivo carioca.

 

 

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