TRE-SP lança documentário em defesa das urnas em meio a julgamento da trama golpista
O Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de São Paulo lançará nesta quarta-feira, 10, um documentário sobre o combate à desinformação contra as urnas eletrônicas. O lançamento, que já estava programado havia meses, coincide com a reta final do julgamento, no Supremo Tribunal Federal (STF), do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e sete outros réus do “núcleo crucial” da ação da trama golpista, acusados de atacar sem provas o sistema eletrônico de votação.
Em um trecho do filme, obtido pela Coluna do Estadão, o presidente do TRE paulista, desembargador Silmar Fernandes, afirma: “A internet não é uma terra sem lei. Então, aquilo que você não pode fazer no mundo físico é óbvio que você também não pode fazer no mundo digital”.
O magistrado acrescenta que o tribunal não estava preparado para a onda de desinformação na eleição de 2018, quando Bolsonaro foi eleito. “Fomos pegos de surpresa com as fake news”.
Produzida pelo TRE de São Paulo, a obra “A Verdade das Urnas: Justiça Eleitoral no combate à desinformação” será exibida no YouTube da Corte a partir da quarta-feira, 10. No mesmo dia, o tribunal também vai reabrir a exposição “Verdades Eletrônicas: Saiba Tudo sobre a Segurança da Urna”, em seu saguão.

Organização criminosa bolsonarista fez ataque coordenado às urnas, diz PGR
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-presidente Bolsonaro e outros réus do “núcleo crucial” da trama golpista repetiam o discurso de fragilidade das urnas para estimular movimentos de rebeldia contra derrotas nas eleições.
“Documentos apreendidos revelam que a organização criminosa planejou a propagação coordenada de ataques ao sistema eletrônico de votação. Foi fixada, por escrito, a diretriz de repetição contínua da narrativa de vulnerabilidade das urnas eletrônicas, como forma de deflagrar movimentos de rebeldia contra os resultados desfavoráveis ao grupo”, disse a Procuradoria.
A PGR apontou ainda que Bolsonaro tentava dar aparência técnica para um discurso sem base nos fatos. “O réu (Bolsonaro) buscou dar aparência de tecnicidade ao discurso fantasioso. Tratou de ataque hacker, código-fonte, vulnerabilidade das urnas, voto auditável, enfim, uma infinidade de expressões que se presumem técnicas e autênticas, mas sempre colocadas fora de contexto, com o intuito de induzir o público a erro e forçar a desconfiança popular sobre o sistema eleitoral”, afirmou o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
