6 de maio de 2026
Politica

Voto coeso de Moraes torna a vida dos defensores de Bolsonaro mais difícil

Direto ao ponto. O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, apresentou um voto coeso, bem fundamentado e articulado, de maneira a sepultar qualquer possibilidade de o ex-presidente Jair Messias Bolsonaro ser absolvido dos crimes de liderar a tentativa de golpe de Estado, entre outros. Mais do que isso, o trabalho de Moraes também dificulta, do ponto de vista político e mesmo dos fatos, a defesa do ex-presidente. O preço de defender Bolsonaro, como fez o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ficou muito mais alto.

Essas conclusões não significam que todas as críticas a Alexandre de Moraes devem ser retiradas. Não. Ainda não há justificativas devidas a questões como censura prévia a agentes políticos, condução de inquéritos sem fim, acumulação de papéis de vítima, acusador e juiz, entre tantos outros reparos tão conhecidos. Mesmo assim, é forçoso admitir que Moraes fez um bom trabalho, no que foi apresentado hoje.

Moraes apresentou um relatório coeso, bem fundamentado e articulado, de maneira a sepultar qualquer possibilidade de o ex-presidente Bolsonaro ser absolvido.
Moraes apresentou um relatório coeso, bem fundamentado e articulado, de maneira a sepultar qualquer possibilidade de o ex-presidente Bolsonaro ser absolvido.

Uma sequência impressionante de fatos e histórias isoladas se tornaram um todo coeso no relatório de Moraes. Jair Bolsonaro, com seus cúmplices, sempre agiu em direção a um golpe de Estado. Em reuniões com ministros, em lives, em orientação a auxiliares. Instigou a população brasileira a desconfiar das instituições de maneira a ter apoio a seus planos inconfessáveis.

Há até detalhes como a conexão entre o esgotamento das saídas jurídicas e a ideia de se chamar as tropas para melar as eleições. Ou as coincidências de datas entre não encontrarem fraudes nas urnas e conceberem um plano como o Punhal Verde Amarelo, que previa assassinatos do presidente eleito Lula e do próprio Moraes – foi impresso e levado ao Palácio do Alvorada, onde estava Bolsonaro. Está em dúvida ou confuso frente a tantas informações? Assista à fala de hoje de Moraes, no YouTube. É longa, mas é possível acelerar a velocidade.

O preço de defender Bolsonaro, como fez o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ficou muito mais alto após voto do ministro Alexandre de Moraes
O preço de defender Bolsonaro, como fez o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, ficou muito mais alto após voto do ministro Alexandre de Moraes

Algumas das alegações da defesa, que impressionaram muito, podem ter sido reduzidas a pó. Como, por exemplo, quando o advogado do general Heleno, então chefe do gabinete institucional, disse que Bolsonaro e seu cliente estavam afastados por causa da aproximação do governo com o Centrão. Heleno esteve próximo até o fim e faltou à formatura militar do neto para atender chamado suspeito de seu chefe no final de 2022.

Alexandre não tocou em questões de foro íntimo do réu. Mas talvez a gente possa especular se Bolsonaro agiu de maneira cínica ou com a certeza dos fanáticos. Se foi cínico, não acreditava em fraudes eleitorais, em eleição roubada, mesmo assim foi em frente com seu plano. Se é um fanático, agiu porque acreditava ter sido injustiçado.

Em ambos os casos, os planos não deram certo porque receberam negativas de dois dos três comandantes das Forças Armadas (a tentativa verdadeira de golpe foi no final de 2022 e não no dia 8/1). E, não importa o que se passe na cabeça do ex-presidente, ele merece ser preso, segundo as nossas leis, por conspirar contra a democracia brasileira. Quem se manter ao lado de Bolsonaro neste momento terá bastante a explicar, além de falar em perseguições políticas conduzidas por um tirano.

 

 

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