Calcinha preta achada no fórum vira hit nas redes
O mistério da calcinha preta achada na sala de audiências do fórum de Cachoeiro de Itapemirim, no interior do Espírito Santo, inspirou a criação de uma baladinha em estilo sertanejo que ganhou status de legítimo hit. O áudio, com cerca de três minutos, ganhou os grupos de WhatsApp rapidamente e agita a bucólica cidade localizada a 133 quilômetros de Vitória.
“No fórum de Cachoeiro
Meu amigo olha o que deu
Entre autos e processos um causo estranho aconteceu
No silêncio da Justiça, quem diria, viu só
Uma calcinha perdida causou rebuliço e dó“, diz um trecho da letra, de autoria desconhecida.
Desafio
O achado intriga magistrados e servidores e alterou a rotina forense. É um desafio e tanto, que se põe até mesmo diante de Têmis, a deusa grega que simboliza a Justiça.
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo abriu prontamente uma investigação sobre caso tão ultrajante que já entrou para os anais do mundo da toga capixaba.
A peça íntima, cor preta, supostamente usada, foi encontrada por duas servidoras em uma sala do Núcleo de Audiências de Custódia no Fórum Desembargador Horta de Araújo.
A investigação administrativa foi instaurada para esclarecer como a calcinha foi parar em uma sala de acesso restrito.

Um outro refrão diz…
Ó calcinha misteriosa, de onde é que ‘ocê’ veio
Deixou juiz encucado e o povo cheio de receio
No meio da papelada, causou investigação
Foi parar no protocolo e virou até notícia no sertão.”
Investigação
Câmeras de segurança instaladas no corredor que dá acesso à sala de audiências estão sendo analisadas em busca de pistas sobre o insólito capítulo da vida.
Os registros de entrada no edifício também foram checados para verificar se pessoas não autorizadas estiveram em áreas de acesso restrito.
O caso foi revelado por A Gazeta, de Vitória. Em entrevista ao periódico, o juiz Bernardo Fajardo Lima, diretor do fórum, informou que nenhum documento ou equipamento foi subtraído nem houve acesso indevido aos sistemas do Judiciário, o que enfraquece a hipótese de uma invasão.
Segue a modinha…
“Duas moças servidoras abriram cedo o portão
Viram a peça caída e chamaram atenção
O juiz todo sério mandou logo apurar
Que ninguém entra a noite sem antes autorizar
Mas lá no fundo ele pensava com um certo aperreio
Será que algum colega teve sorte, eu nem sei direito
Com invejinha escondida, tentou disfarçar
Mas o bigode tremia só de imaginar estar
E o povo lá comenta entre riso e confusão
E até a lei se coçou para entender essa questão
Mas no fórum de Cachoeiro ficou a recordação
De uma calcinha famosa virando modão”
Privacidade
O Tribunal de Justiça informou que não vai divulgar detalhes da investigação neste momento “para resguardar a efetividade dos trabalhos e a privacidade de todos”.
“Se necessárias, serão adotadas as providências administrativas cabíveis, nos termos das normas internas”, informou a Corte.
A sala onde foi encontrada a calcinha ficou trancada no dia anterior por causa do feriado do Dia do Servidor.
A investigação interna foi instaurada a pedido do juiz André Guasti Motta, coordenador do núcleo, que classificou o episódio como “grave”. O magistrado defendeu a “apuração imediata”.
Segredo de Justiça
“A sala contém equipamentos de informática, impressoras, mobiliário e documentos diversos, alguns deles sob segredo de Justiça, que devem permanecer sob guarda e vigilância constantes do Poder Judiciário”, afirmou André Guasti em ofício à direção do fórum.
O acesso de pessoas não autorizadas ao cômodo ainda não foi descartado.
Atividades físicas
A direção do fórum também trabalha com uma segunda linha de investigação: a de que a calcinha tenha caído eventualmente de uma bolsa ou mochila.
Segundo Bernardo Fajardo Lima, o diretor do fórum, magistrados e servidores costumam levar roupas sobressalentes para a prática de atividades físicas antes do expediente.
COM A PALAVRA, O TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESPÍRITO SANTO
“A Direção do Fórum de Cachoeiro de Itapemirim informa que foram acionados procedimentos internos de verificação sobre registro pontual nas dependências do prédio, com solicitação das imagens do circuito interno de câmeras.
Os registros institucionais, inclusive as referidas imagens, estão sendo analisados pelas áreas competentes, abrangendo a avaliação de eventual ingresso de pessoas não autorizadas em áreas restritas. Se necessárias, serão adotadas as providências administrativas cabíveis, nos termos das normas internas.
Para resguardar a efetividade dos trabalhos e a privacidade de todos, não serão divulgados detalhes neste momento. As atividades forenses seguem normalmente.”
