6 de maio de 2026
Politica

Lula vai renovar com a Enel? Câmeras de SP flagram só 10 equipes circulando no apagão

Nesta quinta-feira, 11, já tinha mais de 48 horas que quase um milhão de lares em São Paulo estavam sem luz. A Enel informava aos jornalistas que suas redes haviam sido danificadas pela ventania, mas que tinha 1,6 mil equipes circulando pela cidade para tentar normalizar a situação.

Em guerra com a concessionária, que vive de apagão em apagão, a prefeitura de São Paulo decidiu tentar conferir. Pegou as placas dos 1.385 veículos registrados em nome da Enel no Detran e jogou no sistema Smart Sampa, recém-instalado para combater o crime.

Pátio lotado com veículos da Enel em São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo
Pátio lotado com veículos da Enel em São Paulo — Foto: Reprodução/TV Globo

Das 40 mil câmeras do Smart Sampa espalhadas pela capital, 4 mil conseguem verificar placas. O resultado do cruzamento de dados é assustador. Nas últimas 12 horas até aquele momento, no auge do apagão, apenas 10 veículos da Enel haviam circulado pela cidade. Nos últimos 30 dias, somente 49 veículos.

A prefeitura verificou também as câmeras instaladas em frente aos pátios da Enel. Nas últimas 12 horas, haviam entrado e saído, respectivamente, 34 e 54 caminhões das instalações da empresa. O número de carros era um pouco maior: 84 e 101. A quantidade de motos, no entanto, irrisória: 0 e 3.

Nada que se compare às 1,6 mil equipes que a concessionária alardeia. Procurada, a Enel contesta os dados da prefeitura e diz que seus números são fiscalizados pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).

A concessão da Enel vence em 2028, mas o governo Luiz Inácio da Silva vem insistindo na renovação antecipada.

A prefeitura de São Paulo entrou na Justiça e conseguiu uma liminar para paralisar o processo. O Tribunal de Contas da União emitiu uma nota técnica contrária.

Tornou-se uma guerra política. De um lado, o governo Lula. Do outro, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que pede uma intervenção na companhia.

O argumento do Ministério de Minas e Energia é que é preciso previsibilidade para atrair investimentos.

“Se o prefeito quiser chorar, não tem problema. Se tiver certo, vou renovar. Se tiver errado, mostra que está errado. Não vamos politizar e nem deixar dubiedade. Precisamos atrair investimentos”, disse o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, um mês atrás.

A frase virou peça de propaganda de Nunes contra o ministro.

Não parece que a Enel tem investido o suficiente com apenas 10 equipes na rua enquanto a população da capital está às escuras.

 

 

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