2 de fevereiro de 2026
Politica

Com pai denunciado por elo com PCC, vereador de Ferraz é suspeito de operar fraude de R$ 24 milhões

Afastado por 180 dias por suspeita de integrar um esquema de perdão de dívidas judiciais instalado na Prefeitura de Ferraz de Vasconcelos, o vereador Ewerton de Lissa Souza, do Podemos, é filho de Flávio Batista de Souza, conhecido como ‘Inha de Ferraz’ — ex-vereador do município que foi denunciado pelo Ministério Público em 2025 por manter conexões com o Primeiro Comando da Capital e por fraude em uma licitação de R$ 5,5 milhões em benefício do crime organizado.

A reportagem busca contato com a defesa de Ewerton e Flávio. O espaço está aberto.

O vereador de Ferraz de Vasconcelos, Ewerton de Lissa Souza (Podemos), o Ewerton Inha, é suspeito de operar esquema alvo da Operação TAC
O vereador de Ferraz de Vasconcelos, Ewerton de Lissa Souza (Podemos), o Ewerton Inha, é suspeito de operar esquema alvo da Operação TAC

Nesta quarta-feira, 28, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público deflagrou a Operação TAC, cumprindo mandados de busca e apreensão nas dependências da prefeitura e da Câmara Municipal de Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo. Além do vereador Ewerton, foram afastados do exercício das funções públicas o secretário de Administração, Adriano Dias Campos, o secretário da Fazenda, Pedro Paulo Teixeira Júnior, e o coordenador executivo da Secretaria do Meio Ambiente, Moacyr Alves de Souza.

A Operação TAC foi estruturada a partir de dados obtidos e compartilhados da Operação Munditia, que foi às ruas em 2024 para apurar um complexo esquema de fraudes em licitações operado pelo PCC em prefeituras e câmaras municipais do interior paulista e da região metropolitana.

Operação TAC apreende dinheiro em espécie em Ferraz de Vasconcelos
Operação TAC apreende dinheiro em espécie em Ferraz de Vasconcelos

Durante a Operação Munditia, em abril de 2024, foi apreendido o celular de ‘Inha’. Na perícia, o Gaeco identificou a existência de “um esquema criminoso autônomo e distinto, com epicentro na prefeitura de Ferraz de Vasconcelos”.

Segundo os promotores, Ewerton “atuava como operador do esquema”, sendo responsável por identificar empresas que emitiriam notas fiscais fraudulentas. Conversas analisadas indicam sua participação direta na emissão de uma nota fiscal de R$ 100 mil pela empresa AF Prestações de Serviços, com previsão de comissão de 2,5% sobre o valor. A investigação também aponta gastos em cartão de crédito incompatíveis com sua renda declarada.

Nas eleições municipais de 2024, Ewerton foi um dos vereadores mais votados de Ferraz, angariando 2.552 votos.

PCC e fraude em licitação

Em janeiro de 2025, o Ministério Público de São Paulo denunciou dez pessoas à Justiça, incluindo o ex-vereador Flávio Batista de Souza (Podemos), o Inha, por suspeita de fraudar uma licitação de R$ 5,5 milhões para favorecer uma empresa ligada ao PCC.

A denúncia gira em torno de uma licitação aberta em 2023 para a contratação de serviços de controle e fiscalização de portarias e edifícios em Ferraz de Vasconcelos. A empresa vencedora foi a N Fernandes Prestação de Serviços.

Em maio de 2024, o contrato foi anulado pela Justiça de São Paulo, mas a prefeitura chegou a repassar R$ 781 mil à empresa, valor que o Ministério Público defende que seja devolvido aos cofres públicos.

“Evidente que a corrupção de contrato público de fiscalização e controle, com valor substancial submetido aos interesses e mandos do Primeiro Comando da Capital é das mais graves rupturas dos valores democráticos e republicanos”, diz um trecho da denúncia.

Operação TAC

Segundo o Ministério Público, a suspensão de certidões de dívida ativa da empresa PAP S.A, relacionadas a autos de infração ambiental, e a desistência de ações judiciais pelo município foram motivadas por suposto pagamento de propina. Esses indícios motivaram a Operação TAC, deflagrada nesta manhã.

O Estadão busca contato com a empresa PAP S.A. O espaço está aberto.

As investigações apontam que a dívida da empresa, negociada entre os investigados, ultrapassava R$ 24 milhões.

Para viabilizar a celebração de dois termos de ajustamento de conduta (TAC) que previam obrigações de reparação ambiental, foi acertada a suspensão da cobrança do débito, a desistência de ações judiciais e o pagamento de propina a agentes públicos, entre eles secretários municipais e um vereador, além de terceiros com influência política na cidade.

Segundo o Ministério Público, os dois TACs chegaram a ser firmados e o pagamento da propina ocorreu por meio da emissão de notas fiscais em nome de empresas, algumas de fachada, e da transferência de valores aos envolvidos.

 

 

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