1 de fevereiro de 2026
Politica

Presos do DF preferem ler Tolstói e Graciliano para abater pena; Bolsonaro participa do programa

Os 3 mil detentos do Distrito Federal que leem livros para abater o tempo de prisão têm predileção pelo russo Liev Tolstói e por autores clássicos brasileiros, que incluem Graciliano Ramos, Jorge Amado e Clarice Lispector. Nos últimos dias, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, condenados na trama golpista, passaram a fazer parte do programa, que prevê a redução de quatro dias de pena a cada obra lida e resenhada.

As obras mais populares nas cadeias do Distrito Federal em 2025 no programa de leitura foram:

  1. – De Quanta Terra Precisa o Homem? – Liev Tolstói;
  2. As Cores da Escravidão – Ieda de Oliveira;
  3. Vidas Secas – Graciliano Ramos;
  4. Capitães da Areia – Jorge Amado;
  5. A Hora da Estrela – Clarice Lispector;
Ex-presidente Jair Bolsonaro é conduzido pela Polícia Federal
Ex-presidente Jair Bolsonaro é conduzido pela Polícia Federal

O campeão da lista é um conto de Tolstói, autor russo do século XIX conhecido por Guerra e Paz — que também pode ser lido pelos detentos do Distrito Federal — e Anna Karenina. Em De Quanta Terra Precisa o Homem, publicado em 1886, o protagonista é o camponês Pakhóm, obcecado por conquistar mais terras. “Se eu tivesse muita terra, não temeria nem mesmo o próprio diabo”, pensa o protagonista.

No segundo lugar está uma obra de 2013 que trata do trabalho escravo no Brasil. A autora, Ieda de Oliveira, se inspirou em uma carta enviada à Comissão Pastoral da Terra denunciando o crime. O documento é apresentado no início de As Cores da Escravidão.

Vidas Secas, de Graciliano Ramos, mostra a vida miserável de uma família de retirantes sertanejos que luta contra a seca no País. Entre os personagens da obra de 1938 estão o Filho Mais Velho, o Filho Mais Novo e a cachorra magricela Baleia.

Um ano antes de Vidas Secas, Jorge Amado lançou Capitães da Areia, que conta a história de crianças pobres que moram em um trapiche abandonado em Salvador. Poucos meses após ser publicado, em 1937, a obra teve exemplares queimados em praça pública por determinação da ditadura do Estado Novo, que alegou ligação do livro com o comunismo. No ano passado, uma vereadora bolsonarista tentou censurar a obra nas escolas de Itapoá (SC).

A Hora da Estrela, obra aclamada da escritora naturalizada brasileira Clarice Lispector, retrata as agruras da mulher nordestina Macabéa no Rio de Janeiro. “É a história de uma moça tão pobre que só comia cachorro-quente. Mas a história não é isso só, não. É a história de uma inocência pisada, de uma miséria anônima”, disse Lispector antes de lançar o livro, em 1977.

Lista inclui ‘Ainda Estou Aqui’ e ‘Democracia’

Entre os livros que Bolsonaro e os outros detentos do Distrito Federal podem ler e resenhar para diminuir a pena estão Ainda Estou Aqui, de Marcelo Rubens Paiva; Democracia, de Philip Bunting; Crime e Castigo, de Fiódor Dostoiévski; e A Autobiografia de Martin Luther King, de Martin Luther King.

Ainda integram a lista as obras O Conto da Aia, de Margaret Atwood; O Sol É Para Todos, de Harper Lee; Pequeno Manual Antirracista, de Djamila Ribeiro; e 1968: O Ano que Não Terminou, de Zuenir Ventura. Este último trata da ditadura militar.

O programa de leitura está previsto na Lei de Execução Penal e é regulamentado pelo Conselho Nacional de Justiça. É possível reduzir quatro dias da pena a cada obra lida, desde que o preso elabore relatórios ou resenhas, que precisam ser analisados por uma comissão da unidade prisional e homologados pela Justiça. O limite é de uma obra por mês.

 

 

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