6 de fevereiro de 2026
Politica

Presidente do INSS nega encontro com Vorcaro e diz que contrato com Master ‘cheirava mal’

BRASÍLIA – O presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Gilberto Waller Júnior, negou que tenha se reunido com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, e disse achar que algo “cheirava mal” no contratos consignados celebrados pelo banco. Ele é o depoente desta quinta-feira, 5, da CPI do INSS.

“Já para avisar, o Vorcaro nunca foi ao INSS, porque eu sei que essa pergunta vão fazer. Eu nunca fiz uma reunião com o Vorcaro”, afirmou. Waller Júnior citou duas reuniões do INSS com dirigentes e advogados do Banco Master nos dias 31 de outubro e 10 de novembro do ano passado.

Gilberto Waller Júnior é o presidente do INSS escolhido por Lula após operação da PF que apura fraude em aposentadorias
Gilberto Waller Júnior é o presidente do INSS escolhido por Lula após operação da PF que apura fraude em aposentadorias

“Eles participam de uma reunião, tentando fazer um termo de compromisso para sanar as irregularidades”, prosseguiu. “Na reunião, a gente pediu para ver o contrato, porque achava que algo estava cheirando mal, algo estava ruim. E, quando mostrou esses contratos, não tinha os elementos mínimos para a gente fazer o controle: não tinha o valor emprestado, taxa de juro, custo efetivo. E pior: a assinatura, que era uma assinatura eletrônica do nosso segurado, não era acompanhada com QR Code, com aquilo com que você consegue certificar que a assinatura era daquela pessoa. E a gente saiu da reunião falando: ‘não tem como assinar o termo de compromisso’.”

Processo administrativo do INSS de novembro de 2025, que analisou a regularidade do acordo de cooperação técnica (ACT) com o Master, mostra que o banco deixou de apresentar mais de 250 mil documentos que comprovassem contratos firmados de crédito consignado.

Dados obtidos pelo Estadão por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que o Master tinha apenas um consignado com beneficiários do INSS até novembro de 2022. O ACT foi firmado em 2020.

“A nossa preocupação com aposentado e pensionista, por determinação do presidente da República, foi: ‘passe o pente-fino’. E a gente verificou que tinha algo errado com o Master. A gente entendeu que não tem como eles continuarem prestando serviço aos nossos aposentados e pensionistas com esse nível de reclamação”, afirmou Waller Júnior à CPI.

O presidente da CPI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), pautou a oitiva de Waller Júnior para “esclarecer as medidas adotadas desde sua posse, avaliar a efetividade dos controles internos implementados e identificar responsabilidades administrativas no âmbito da gestão atual”.

“A presença do presidente do INSS é fundamental para garantir a transparência, fornecer informações oficiais à comissão e colaborar com as investigações sobre práticas que lesam os beneficiários e o erário público”, disse Viana.

Ainda nesta quinta-feira, 5, parlamentares governistas e da oposição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva entraram em acordo e barraram a votação de requerimentos que miram o Banco Master e aliados do petista e do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Waller Júnior confirma afastamento de diretora

Waller Júnior confirmou que pediu o afastamento da diretora de Tecnologia da Informação, Léa Bressy, que o substituiu na presidência durante suas ausências.

Em depoimento à CPI, ele alegou fez o pedido porque “entendia a necessidade de mudança” e que ela não entregou “resultado devido”.

O documento, de caráter sigiloso, foi enviado ao ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz, em novembro. Wolney disse que não ia exonerá-la.

O Estadão mostrou que, nos bastidores, o comentário é de que Bressy é ligada ao ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, preso pela Polícia Federal (PF) em novembro por suspeita de envolvimento nas fraudes em descontos de aposentadorias e pensões.

O relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), perguntou se Waller Júnior tinha essa suspeita. “Não tenho provas disso, mas o que falam é que ela foi nomeada por ele, por proximidade”, afirmou o presidente do INSS.

Em dezembro, o Estadão mostrou que o plano de Wolney é emplacar Léa Bressy Amorim à frente do INSS. “O senhor perdeu autonomia de exonerar”, disse Gaspar a Waller Júnior.

 

 

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