10 de fevereiro de 2026
Politica

Presidente do PT repudia ‘partidarização’ de investigações do caso Master em meio a ‘Guerra de CPIs’

BRASÍLIA – O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, voltou a defender o avanço das investigações sobre o caso do Banco Master, mas afirmou que o processo não deve ser “partidarizado”.

“A investigação tem que ser feita. O que nós somos contra é a politização das investigações, a partidarização das investigações, transformar investigações em instrumento de luta política. Isso não pode acontecer”, disse a jornalistas na Câmara, após sessão solene em comemoração aos 46 anos do PT.

O presidente do PT, Edinho Silva, em de almoço com empresários em evento do Lide.
O presidente do PT, Edinho Silva, em de almoço com empresários em evento do Lide.

Como mostrou o Estadão, a maioria dos parlamentares da Câmara apoia a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a crise do Banco Master, a despeito da resistência da cúpula do Congresso em avançar no tema. No entanto, governistas e oposição travam uma disputa nos bastidores pelo protagonismo e pelo enfoque da investigação no Legislativo.

Enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), diz que seguirá a ordem cronológica dos 16 pedidos de CPI, os parlamentares defendem suas próprias iniciativas, influenciadas pelo fator ano eleitoral.

O deputado governista Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) admitiu haver resistência dentro da Câmara para instalar a CPI, mas avaliou que a revelação de novos fatos e a pressão da opinião pública podem superar esse obstáculo.

Ex-governador do Distrito Federal, Rollemberg é adversário do atual chefe do Executivo local, Ibaneis Rocha (MDB). Uma eventual CPI sobre a operação frustrada de compra do Master pelo Banco de Brasília (BRB) poderia atingir o atual governo distrital.

Entre bolsonaristas, os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes tornaram-se alvos centrais, em meio a notícias que levantam possíveis conflitos de interesse na atuação de ambos no caso.

Autonomia do BC

Edinho Silva também defendeu a abertura de um debate sobre a revisão da autonomia do Banco Central (BC), mesmo após Hugo Motta ter afirmado que não pretende pautar o tema.

“Podemos discutir reformas e mudanças para que o sistema financeiro esteja mais alinhado aos desejos da sociedade. Mas negar que ele tem credibilidade e que funciona seria um erro”, ponderou Edinho.

Desde o início do governo, Lula e integrantes do PT têm feito críticas ao BC. O presidente chegou a classificar o ex-presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, como seu “adversário político”, associando-o ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O tom, porém, mudou com a posse do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo. Na semana passada, Lula afirmou que diz diariamente a Galípolo que os juros estão altos, mas ressaltou confiar em seu trabalho e que “o Brasil haverá de agradecer” à sua atuação.

Ainda assim, o novo líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), disse ao Estadão/Broadcast na última sexta-feira, 6, que defende uma revisão da autonomia do Banco Central para uma “autonomia relativa”. Ele classificou a atual taxa básica de juros, em 15% ao ano, como “abusiva e criminosa”.

O caso Master poderia servir de pano de fundo para essa reivindicação. O deputado argumentou que a autonomia do BC permitiu flexibilizar regras da instituição sem controle social do Congresso, do Tribunal de Contas e do Executivo, o que teria permitido os títulos podres e o escândalo do Master.

Por outro lado, a avaliação da atuação do BC na regulação do sistema financeiro em meio ao caso Master é positiva. O economista e ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega afirmou que a autarquia sai fortalecida como reguladora.

“O Banco Central se tornou um regulador de alta qualidade que promoveu, de certa forma, uma grande transformação no sistema financeiro nacional que responde em paz com sua solidez. Então, realmente, o Banco Central, a meu ver, é um orgulho institucional para o Brasil”, disse em entrevista exclusiva à Coluna do Estadão.

Como também mostrou o Estadão, o Congresso Nacional tem avaliado o BC de forma mais favorável do que o STF na condução das investigações sobre o Banco Master, segundo pesquisa do Ranking dos Políticos.

 

 

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