O plano de Lula para driblar falta de puxador de voto em SP e impulsionar a campanha de Erika Hilton
Depois de decidir enviar um projeto de lei ao Congresso que trata da mudança da escala trabalhista 6×1, apostando em uma tramitação mais rápida do que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que já está na Câmara, o governo agora quer a deputada Erika Hilton (PSOL-SP) como relatora da proposta que vai enviar ao Parlamento.
A ideia é não só prestigiar a parlamentar por ser considerada quem deu voz à principal pauta eleitoral do governo na Câmara, como ampliar a visibilidade de Erika em São Paulo, onde a esquerda está sem um puxador de votos de peso desde que Guilherme Boulos virou ministro da Secretaria-Geral da Presidência, em outubro do ano passado.
Erika Hilton é aposta da esquerda para puxar votos em SP
Boulos foi eleito deputado federal em 2022 com 1 milhão de votos e era o maior impulsionador do PSOL no Estado. Erika Hilton teve votação bem menor, de 256 mil, mas é a aposta da legenda para que a sigla se mantenha representada. Ela poderá, inclusive, herdar votos de Boulos.
Para alcançar em 2026 a cláusula de barreira, o partido precisa eleger 13 parlamentares ou ter pelo menos 2,5% dos votos válidos, distribuídos em nove estados, com 1,5% dos votos válidos em cada um.
Hugo Motta pode optar por relator de centro
O PSOL tem hoje 11 deputados federais e faz parte de uma federação com a Rede. Juntos, eles têm 15 parlamentares. O PT atualmente tem 67 deputados.
O nome de Erika Hilton para a relatoria do projeto foi discutido por ministros envolvidos na proposta, entre eles Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais), Luiz Marinho (Trabalho) e o próprio Boulos.
Parte do governo acredita que não encontrará resistência no presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para os planos de entregar a relatoria à deputada do PSOL, mas há, até mesmo entre parlamentares petistas, quem acredite que Motta pode optar por um nome mais ao centro.

