17 de abril de 2026
Politica

Convocado, Gilmar Mendes entra em campo para travar investigação do caso Master

Gilmar Mendes teve de entrar em campo. Dias Toffoli tentou controlar o bicho; Alexandre de Moraes ainda tenta domá-lo. Davi Alcolumbre mostra que nem o exercício autoritário do poder – o rolo-compressor com que governa o Congresso – consegue dirigir o ímpeto imprevisível de uma crise que veio para ficar. Não tem a caneta togada capaz de decidir como bem quiser, quando quiser. Gilmar Mendes tinha de entrar em campo. Foram chamá-lo. Ele veio.

O caso Master veio para ficar. É incontrolável. Empurra-pressiona tudo em Brasília e a partir de Brasília – e desafia a operação abafa contra as investigações. Sempre tendente a prosperar e se impor, dado o volume de graúdos desfilantes nos celulares de Vorcaro e seus laranjas, o acordo por acomodação – liderado pelo Supremo de nossos salvadores – nunca esteve tão ameaçado; mesmo diante da blitz intimidatória que o pescador Xandão botou na rua. O ministro faz pesca probatória a partir de indícios de sigilos fiscais vazados. É provável que capture a solidariedade dos pares. Não seria suficiente.

Gilmar Mendes anulou decisão da CPI do Crime Organizado que quebrou sigilo da Maridt
Gilmar Mendes anulou decisão da CPI do Crime Organizado que quebrou sigilo da Maridt

Pela primeira vez em quase sete anos, até Moraes tem receios – porque sabe onde e com quem fumou charutos, sabedor também de que essa fumaça escapou do bunker para, havendo República, logo aparecer em algum relatório policial, talvez num como aquele em que a Polícia Federal listou indícios de crimes cometidos pelo colega dublê de juiz e empresário do ramo hoteleiro. O caso Master exigia a intervenção destemida do decano. Talvez não haja República. Há o decano.

Há muita informação represada, aquilo que o cadeado de Dias Toffoli trancara. A PF só agora começa a periciar esse material. Não será apenas o anulador-geral da República a figurar, entre os empresários supremos, como palestrante para Vorcaro. André Mendonça, noutra frente, restituiu a autonomia do Coaf, restabelecido o fluxo rotineiro dos relatórios de inteligência financeira – que, relativamente ao Master, Dias Toffoli determinara que lhe fossem remetidos. O decano tinha de vir.

Algo se destrava. Ou destravava. O Senado afrontou Alcolumbre e transformou a CPI do Crime Organizado – está aí a operação Carbono Oculto para justificar o movimento – em CPI do Master, aprovada a quebra dos sigilos fiscal, bancário, telefônico e telemático da empresa por meio da qual Dias Toffoli fora sócio de uma fachada de Vorcaro.

O caso exigia a intervenção do decano – e Gilmar Mendes interveio. Ele deita a regra: só quem pode quebrar sigilo de empresa de ministro do Supremo é ministro do Supremo. Só quem pode quebrar sigilo de empresa de ministro do Supremo é outro empresário ministro do Supremo. A Maridt foi chamá-lo. Seus advogados cavaram processo antigo, arquivado. Foi escolhido. E resolveu.

Há lotes de informações represadas e várias frentes a serem investigadas. Muita coisa pôde andar a partir do afastamento de Dias Toffoli da relatoria do caso Master. O Supremo nos informa o que não andará – não sem a resistência xandônica: a apuração sobre as relações de Dias Toffoli (e de Moraes) com a galera de Vorcaro. Gilmar Mendes chegou.

 

 

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