16 de abril de 2026
Famosos

Som e Dendê: Depois de Guns, Salvador quer mais – traz rock, traz pop, reggae e k-pop; se tiver show, o público vai ‘colar’

Ser de todos os santos, encantos e axés é algo cantado aos quatro ventos ao se falar sobre Salvador. A música ‘Chame Gente’, de Moraes Moreira, está aí há 41 anos para não nos deixar mentir.

 

Mas a terra do maior Carnaval de rua do mundo prova que o caldeirão cultural feito em fevereiro, que leva milhões de pessoas às ruas para correr atrás do trio elétrico, também consegue trocar a purpurina da folia pelo tom mais sóbrio de roupa que existe no guarda-roupa e abrir as portas de casa para receber uma das bandas mais icônicas do rock mundial.

 

Foi assim que Salvador entrou para a história ao colocar aproximadamente 40 mil pessoas na Arena Fonte Nova, com olhos vidrados no palco onde se apresentou o Guns N’ Roses. Provando que a capital baiana é casa para todo e qualquer estilo musical.

 

Imagine dizer que a terra de Raul Seixas, Pepeu Gomes, Cascadura, Pitty, Camisa de Vênus, Luiz Caldas – sim, Luiz Caldas -, e Armandinho Macêdo (e por que não citar a nova geração com Vivendo do Ócio e Maglore?) não pode também ser a terra do rock? Imagine querer resumir a Bahia ao Axé, quando o movimento é apenas uma parte da vasta cultura local? 

 

Foto: Spotify

 

Quem passou pela Fonte Nova na última quarta pôde perceber um estereótipo do soteropolitano ser confirmado: o fato de quem vive por aqui ser acolhedor. A capital acolheu o rock no último dia 15 de abril como se o estilo da década de 1950 tivesse nascido aqui.

 

E quem viveu o dia 15 de abril pôde realizar um sonho: o de ver grandes astros da música mundial se divertindo em Salvador; e não só cantando, mas ouvindo o público cantar a plenos pulmões sucessos como ‘Welcome to the Jungle’, ‘Patience’, ‘Don’t Cry’, ‘Knockin’ On Heaven’s Door’ e, é claro, ‘Sweet Child O’ Mine’.

 

A passagem da turnê ‘Because What You Want and What You Get Are Two Completely Different Things’, do Guns N’ Roses, por Salvador acontece quatro anos após a apresentação do grupo norueguês A-ha no mesmo palco, mas com um público duplicado. Axl e sua trupe colocaram 40 mil pessoas na Fonte Nova para celebrar os 41 anos de história do grupo. Sim, a mesma idade de ‘Chame Gente’.

 

 

 

 

 

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Entre essas 40 mil pessoas, tenha certeza de que havia o fã do grupo que sabe até a data de nascimento de Axl e o motivo da briga entre ele e Slash, e também quem foi ao estádio apenas para ter a oportunidade de ver um artista internacional se apresentar em Salvador — e não se arrependeu.

 

Sem história de que o rock está morto ou respirando por aparelhos. É a mesma ladainha que acontece com o Axé. Entender movimentos e estilos musicais é saber que a sazonalidade existe e, além disso, a forma de consumo do público é o que verdadeiramente dita o sucesso de algo. Mas a música, além de ser atemporal, ela resiste. E um hit é um hit, ainda que se passem 39 anos de seu lançamento.

 

Prova disso é que bastou um riff da guitarra de Slash nos primeiros segundos de show para a Fonte Nova “ir abaixo” com ‘Welcome to the Jungle’. Para falar na linguagem da nova geração, é como se ela tivesse sido lançada no último mês e se tornado um viral do TikTok.

 

O show da última quarta-feira (15) mostrou que, quando se trata de Salvador, é necessário arriscar. Ainda que os streams indiquem um maior consumo de sertanejo, por exemplo, o rock, na sua essência, fala justamente sobre a autenticidade e sobre a expressão no seu máximo.

 

Foto: Luis Vasconcelos/ Bahia Notícias

 

O rock tem público por aqui, ainda que faça calor e as pessoas prefiram utilizar regata e shortinho batedeira. Ainda que tenha gente que divida o coração com a experiência de colar na corda de Bell e a experiência de abrir uma roda em um show de punk. Tem público que gosta de dançar um arrocha sofrido e não abre mão de sofrer com um solo de guitarra melódico, e também quem use spikes e colar de Gandhy.

 

Mas, para além de estilo, Salvador mostrou ter capacidade de ser palco para shows internacionais e de ter público para essas apresentações. “Ah, mas e o engarrafamento na volta?”. Acredite, acontece em todo lugar que recebe um show de grande porte. “Ah, mas e os cambistas na porta?” – também tem em todo lugar. “Ah, esbarraram em mim na pista” – o recomendado aí é ficar em casa.

 

Uma das questões mais debatidas sobre a ausência de shows internacionais em Salvador é justamente o ticket médio para essas apresentações. O ingresso mais barato para assistir ao Guns custou R$ 285, o triplo do valor do ingresso mais barato para o show de Gilberto Gil, por exemplo, que foi realizado no mesmo espaço, utilizando todos os setores do Guns e com uma duração de show parecida.

 

Ainda assim, a apresentação da banda norte-americana conseguiu levar 40 mil pessoas para o estádio. Ou seja, o valor do ticket não deve ser o fator determinante para afastar as grandes atrações da capital.

 

Outro ponto citado por empresários é o fato de haver vários shows em uma mesma região. Com a turnê do Guns, ficou provado que quem tem demanda tem público, ainda que o show seja realizado em Salvador e Fortaleza, por exemplo, cidades do Nordeste que, supostamente, dividiriam o público. As “desculpas” estão caindo e Salvador tem provado, com a adesão aos shows, que tem espaço para ser palco dessas experiências.

 

Foto: Luis Vasconcelos/ Bahia Notícias

 

O show do Guns mostrou que Salvador está aberta a possibilidades e que não vai fazer feio. Mostrou que a capital não pode depender do esforço de apenas um grande festival, como o Afropunk, para que as estrelas da música mundial desembarquem na cidade. E mostrou também como o fator acolhimento do público soteropolitano faz a diferença, ainda que tenha gente que não saiba cantar todas as palavras da canção.

 

Pular faz parte, vibrar faz parte. Estar no clima encanta quem vê, anima quem investe e faz crescer no público o interesse por mais. E é o que se espera para 2026: novas experiências como essa.

 

O presidente da Arena Fonte Nova, Alexandre Gonzaga, afirmou que novos shows, tanto nacionais quanto internacionais, estão confirmados para a capital em 2026:

 

“O mercado de eventos é um segmento importante para a economia local, pois movimenta a rede hoteleira, restaurantes e o setor de serviços. Esse impacto vale tanto para atrações de fora quanto para shows nacionais. Temos um trabalho contínuo de captação e, este ano, nossa programação está repleta de grandes artistas. Estamos viabilizando a vinda de novos nomes, com artistas do Brasil e do exterior, que serão divulgados em breve.”

 

Foto: Instagram

 

Fora da Fonte Nova, a capital já tem o show da cantora britânica Jorja Smith confirmado para novembro no Afropunk. Já dentro do estádio, o jeito é sonhar com as possibilidades e imaginar, quem sabe, que alguma estrela que vá se apresentar no Rock in Rio estenda a estadia no país e deseje conhecer a magia de Salvador.

 

A certeza é de que a primeira capital do Brasil está de portas abertas para receber um novo e grandioso show.

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