Prefeitura inicia segunda etapa de formação para educação antirracista em escolas de Salvador

Texto: Fabiane Humildes e Mateus Soares / Secom PMS
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS
A Prefeitura de Salvador iniciou, nesta segunda-feira (15), a segunda etapa da formação de multiplicadores para a educação antirracista na rede municipal de ensino. A iniciativa é realizada em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e a Fundação Roberto Marinho e tem como objetivo fortalecer práticas pedagógicas voltadas para a promoção da igualdade racial e o combate ao racismo nas escolas.
A formação acontece até esta terça-feira (16), no Centro de Formação Emília Ferreiro, no bairro Costa Azul, e é conduzida pelo projeto A Cor da Cultura. Nesta etapa, mais de 80 multiplicadores participam das atividades presenciais, distribuídas em quatro turmas. A primeira fase da capacitação ocorreu nos dias 1º e 2 de junho e também reuniu 80 multiplicadores, com 40 participantes em cada dia.
A proposta da formação é ampliar o debate sobre educação étnico-racial e contribuir para a construção de práticas pedagógicas que valorizem a ancestralidade, a diversidade cultural e os saberes afro-brasileiros e indígenas.
Professora da Escola Municipal Nova do Bairro da Paz, Elane Michelle da Silva destacou a importância da iniciativa para o fortalecimento da autoestima e da identidade das novas gerações. “É imprescindível que as crianças tenham sua autoestima fortalecida, reconheçam a ancestralidade presente em sua formação e compreendam os valores civilizatórios afro-indígenas e os elementos que compõem a cultura quilombola”, afirmou.
Segundo a educadora, a formação também contribui para a construção de uma nova perspectiva pedagógica dentro da rede municipal. “É necessário ressignificar a forma como as crianças aprendem, a maneira como os processos educacionais são conduzidos e consolidar uma educação antirracista na rede pública municipal de Salvador”, acrescentou.
A técnica da Assessoria para as Relações Étnico-Raciais da Secretaria Municipal da Educação (Smed), Márcia Fernandes Araújo, ressaltou que situações discriminatórias muitas vezes acabam sendo reproduzidas de forma naturalizada no cotidiano escolar. “Situações que são visíveis, mas que ao mesmo tempo passam despercebidas no nosso dia a dia, acabam se replicando”, observou. Para ela, a educação antirracista deve ser compreendida como uma prática permanente e integrada ao cotidiano escolar.
Professora e vice-diretora da Escola Quilombola de Ibirigodim, localizada no bairro de Tancredo Neves, Aliette Freitas da Rocha participou da formação como uma das facilitadoras das atividades realizadas nesta segunda-feira. Segundo ela, o processo tem despertado o interesse dos professores em aprofundar conhecimentos e compartilhar experiências relacionadas à educação étnico-racial e quilombola. “Em todas as oficinas é possível perceber o engajamento, mas também a responsabilidade dos professores que estão aqui como multiplicadores”, destacou.
A iniciativa está alinhada à Lei nº 10.639/03, que tornou obrigatório o ensino da história e da cultura afro-brasileira nas escolas brasileiras. Para Aliette, ações de formação continuada são fundamentais para transformar a legislação em prática efetiva dentro das salas de aula. “Somente assim essas leis, das quais tanto falamos, poderão efetivamente sair do papel”, concluiu.
