Te Deum lota Catedral Basílica e reforça tradição na abertura das comemorações pelo 2 de Julho
O tradicional Te Deum lotou a Catedral Basílica de Salvador, no Centro Histórico, na manhã desta quarta-feira (1º), reforçando a tradição que marca a abertura das comemorações pelos 203 anos da Independência do Brasil na Bahia. Promovida com a participação da Prefeitura, a cerimônia reuniu autoridades civis, representantes das Forças Armadas, lideranças religiosas e a comunidade em um momento de ação de graças pelo marco histórico do 2 de Julho de 1823.
A cerimônia teve início às 9h e, pela primeira vez, foi presidida por Dom Marco Eugênio Galrão, bispo auxiliar da Arquidiocese de Salvador. Durante a celebração, o religioso ressaltou que o Te Deum é um momento de louvor e gratidão pela consolidação da Independência do Brasil a partir da vitória baiana, além de um convite para que a liberdade seja vivida com responsabilidade e compromisso com a verdade.
“Hoje, nos reunimos para cantar o Te Deum, ‘A Ti, ó Deus, nosso louvor’, celebrando a vitória da Independência da Bahia, que representa a consolidação da Independência do Brasil. Estamos aqui para agradecer a Deus por essa conquista, que deu ao nosso povo uma nova identidade como nação livre. Que este seja também um momento para renovar em nossos corações o valor da liberdade e da verdade”, afirmou.
O caráter histórico e simbólico da celebração, que une fé e civismo e se mantém viva ao longo de mais de um século, foi destacado pelo presidente da Fundação Gregório de Mattos (FGM), Fernando Guerreiro, que mais uma vez marcou presença no ato.
“O Te Deum é uma solenidade importantíssima, que faz parte dos festejos do 2 de Julho, que celebram a Independência. É muito importante esse casamento do cívico com o religioso. É uma missa muito bonita, uma tradição que se repete há mais de um século e que deve ser cada vez mais celebrada e divulgada para que a população possa vir até aqui”, considerou.
Além da celebração religiosa, a programação deste ano reforça a valorização dos atos cívicos que antecedem o desfile. Entre as ações estão o fortalecimento da cerimônia do Te Deum, a programação da chegada do Fogo Simbólico em Pirajá, realizada na praça recém-requalificada pela Prefeitura, e atrações culturais.
Diretor de Artes e Fomento Cultural da FGM, e também coordenador-geral das comemorações do 2 de Julho, George Vladimir destacou que a Prefeitura tem trabalhado para fortalecer as tradições da festa sem deixar de investir em melhorias para o público.
“Temos batalhado há alguns anos para fortalecer as tradições do 2 de Julho. Também reforçamos a programação em Pirajá, com a chegada do Fogo Simbólico na praça requalificada, além do tradicional show do Cortejo Afro, que este ano contará com a participação de Narcizinho. Para o desfile, está tudo preparado. Mantemos a tradição com os carros do Caboclo e da Cabocla abrindo o cortejo, as escolas desfilando em seguida, além da participação de fanfarras e filarmônicas de diversas cidades do interior. A expectativa é de uma grande presença do público nas ruas para celebrar essa data tão importante para a Bahia”, afirmou.
Participação popular – Entre os participantes da celebração estava o presidente da Associação Cultural Grupo Indígenas Guaranis, Emanuel Pita, de 53 anos. Integrante dos Caboclos de Itaparica há 40 anos, ele destacou a importância de manter viva a memória da participação popular na luta pela Independência da Bahia.
“Os Caboclos de Itaparica reafirmam a importância que o povo itaparicano teve no processo de consolidação da Independência do Brasil durante as batalhas de 1823. O grupo foi criado em 1939 para homenagear o povo nativo de Itaparica e preservar essa tradição. Manter essa história viva é muito importante para nós”, afirmou.
Exército, Marinha, Aeronáutica e Corpo de Bombeiros também participaram da cerimônia, reforçando o caráter cívico e institucional da celebração.
De origem no latim, Te Deum significa literalmente “A Ti, ó Deus” e dá nome a um dos mais antigos hinos de louvor e ação de graças da tradição cristã, entoado em celebrações solenes como forma de agradecimento. O cântico foi composto no ano de 387, em Milão, por Santo Ambrósio e Santo Agostinho.
