21 de agosto de 2026
Salvador

VII Jornada do Patrimônio leva debates e vivências sobre acervo cultural e histórico de Salvador até sábado (22)

Fotos: Bruno Concha/ Secom PMS

Texto: Gilvan Santos/ Secom PMS

A VII Jornada do Patrimônio Cultural de Salvador, promovida pela Prefeitura e que reúne especialistas e estudantes para discutir as questões que envolvem o acervo material e imaterial da cidade, começou nesta quinta-feira (20). Serão três dias de debates, reflexões, vivências e manifestações culturais.

Com o tema “Patrimonializar para quê e para quem?”, o evento é realizado pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo (Secult), através da Fundação Gregório de Mattos (FGM).

A vice-presidente da FGM, Silvia Russo, contou que a discussão é estratégica para o desenvolvimento da Cultura. “Discutir o patrimônio é discutir a nossa história e para onde devemos ir, porque quem não vê seu passado não faz um bom futuro. Estamos felizes e gratos pela VII Jornada e pelos apoios, e que a gente encontre caminhos para valorizar cada vez mais o nosso patrimônio histórico”, afirmou.

A palestra de abertura foi sobre a “Superação do pensamento eurocêntrico no campo do patrimônio cultural”, ministrada pela antropóloga e vice-reitora da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Jamile Borges.  Nesse primeiro dia, o encontro está sendo realizado no Terreiro Casa Branca, na Avenida Vasco da Gama.

A ialorixá Neuza Cruz recebeu os convidados. “Para a nossa casa é um orgulho muito grande por também fazer parte desse contexto, sendo o primeiro terreiro de candomblé tombado do país. Sediar essa jornada tem uma importância muito grande para a gente. Estamos muito felizes em fazer parte dessa integração”, disse.

Às 14h, a palestra será sobre a “Preservação do Patrimônio Cultural: políticas, práticas e sustentabilidade”, com o antropólogo Ordep Serra (Terreiro Casa Branca); o coordenador do Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do Ministério Público (Nudephac/ MPBA), promotor Alan Cedraz; e a arquiteta e pesquisadora da Ufba, Joseane Oliveira. A mediação será da secretária da Reparação (Semur), Isaura Genoveva.

Evento – A Jornada do Patrimônio Cultural tem três eixos principais: a preservação do patrimônio cultural, com foco em políticas, práticas e sustentabilidade; o fomento ao patrimônio cultural, discutindo estratégias de preservação, valorização e desenvolvimento; e a educação patrimonial, destacando o papel dos mestres e mestras da cultura popular na transmissão de saberes, fazeres e memórias às novas gerações.

Nos próximos dias serão discutidas estratégias, políticas públicas e formas de conhecimentos, além da realização de visitas guiadas.

A gerente de Patrimônio da FGM, Roberta Ventura, contou que o evento é um estímulo ao debate.

“É uma provocação e um convite ao diálogo para a gente entender que histórias devem ser contadas, por quem devem ser contadas, quais memórias devem ser guardadas e quais ainda não foram escutadas. E o Casa Branca é um exemplo dessa mudança de pensamento, o primeiro terreiro tombado do Brasil, um local rico de saberes”, disse.

A cerimônia de abertura reuniu representantes de diversos órgãos e entidades. O superintendente do Iphan na Bahia, Hermano Guanais, destacou a importância da preservação da memória, cobrou ações conjuntas de cuidado com a História e citou exemplos de nomes ainda pouco lembrados.

“Aproveitamos a Jornada do Patrimônio para discutir questões como a trajetória do pensamento de Edson Carneiro no Brasil, um baiano que foi um intelectual do Patrimônio e que é tão importante quanto tantos outros, mas de quem pouco se fala e de quem pouco se lembra. Foi ele, por exemplo, que organizou o 2º Congresso Nacional Afro-Brasileiro, em 1937”, contou.

Em Salvador, o projeto “Patrimônio É…”, da FGM, realiza rodas de conversa mensais sobre o patrimônio cultural de forma itinerante. A fundação também tem uma parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Smed) para visitas guiadas com os estudantes. Os roteiros têm o objetivo de apresentar o acervo da cidade aos jovens e proporcionar uma experiência de conhecimento e valorização da história e da cultura.

Confira a programação dos próximos dias:

DIA 2: 21 | FUNDAÇÃO CASA DE JORGE AMADO

9h às 10h: Recepção / Credenciamento

10h às 12h: Mesa 2: Patrimônio Cultural e Fomento: estratégias para preservação, valorização e desenvolvimento. Palestrantes: Paloma Amado (escritora), Aislane Nobre (doutoranda em Artes Visuais) e Silvana Moura (roteirista e diretora audiovisual)

12h às 14h: Intervalo para almoço

14h às 15h: Visita guiada à Fundação Casa de Jorge Amado

15h30 às 17h: Exibição do documentário Alápini, a herança ancestral de Mestre Didi, seguida de bate-papo com Silvana Moura, diretora do documentário

17h às 18h: Homenagem aos professores José Dirson Argolo e Mário Mendonça

Encerramento

DIA 3: 22 | CASA DAS HISTÓRIAS DE SALVADOR

9h às 9h30: Recepção

9h30 às 10h: Premiação dos Mestres contemplados no Edital Culturas Populares: Festas e Mestres

10h às 12h: Mesa 3 / Roda de conversa: Guardiões dos Saberes: o papel dos mestres e mestras das culturas populares na educação patrimonial. Mediador: Chicco Assis (Secult Salvador)

12h às 14h: Intervalo para almoço

14h às 17h: Aula sobre o patrimônio cultural de Salvador a bordo de uma escuna. Ministrante: prof. Bira Carlúcio

Encerramento

Acesse a galeria de fotos: https://comunicacao.salvador.ba.gov.br/vii-jornada-do-patrimonio-cultural-de-salvador/ .