29 de agosto de 2026
Entretenimento

Desafio Ambiental: Bunge e Acelen firmam acordo para produção de combustível sustentável

A Acelen Renováveis, empresa de energia controlada pela Mubadala Capital, fechou com a Bunge um contrato de cinco anos para o fornecimento de 300 mil toneladas anuais de óleo de soja certificado, totalizando 1,5 milhão de toneladas. O insumo será destinado à produção de Combustível Sustentável de Aviação (SAF) e Diesel Renovável (HVO) na biorrefinaria que a Acelen prevê colocar em operação na Bahia a partir de 2029.

 

O acordo é o maior contrato de fornecimento de óleo de soja já firmado pela Bunge no continente e integra a estratégia da Acelen para estruturar uma cadeia de matérias-primas renováveis capaz de sustentar a produção de combustíveis de baixo carbono em escala industrial.

 

O projeto prevê a implantação do que as empresas classificam como primeira unidade de produção de SAF e HVO em larga escala da América do Sul. Com investimentos superiores a US$ 3 bilhões, a biorrefinaria terá capacidade projetada de produzir 1 bilhão de litros de combustíveis renováveis por ano.

 

Foto: Divulgação

 

O óleo de soja poderá ser originado no Brasil e na Argentina e deverá atender a padrões internacionais de rastreabilidade e sustentabilidade, com certificações da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) e do Conselho de Recursos do Ar da Califórnia (CARB).

 

A contratação ocorre em um cenário de expansão da demanda mundial por combustíveis de menor intensidade de carbono, especialmente no setor de aviação. Segundo a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA), o SAF poderá responder por cerca de 65% das reduções de emissões necessárias para que a aviação alcance emissões líquidas zero até 2050.

 

Para a Acelen, o contrato com a Bunge representa um avanço na formação de uma plataforma diversificada de suprimento. Além do óleo de soja certificado, a companhia já firmou acordos para aquisição de óleo de cozinha usado (UCO) e desenvolve uma cadeia de produção de macaúba, que deverá constituir a principal matéria-prima de seu projeto de longo prazo.

 

Foto: Ricardo Stuckert  / Secom PR

 

“Este acordo reforça a estratégia da Acelen Renováveis de desenvolver uma cadeia de suprimentos robusta, assegurando parte das matérias-primas certificadas necessárias para sustentar as operações da biorrefinaria e viabilizar a produção de combustíveis renováveis em larga escala no Brasil”, afirma Cristiano da Costa, vice-presidente Comercial e de Trading da Acelen Renováveis.

 

Segundo o executivo, o acesso a matérias-primas certificadas é fundamental para garantir competitividade, rastreabilidade e segurança operacional, além de ampliar a oferta de combustíveis de baixo carbono para os mercados brasileiro e internacional.

 

A parceria também aproxima a estratégia de descarbonização da Acelen das iniciativas de sustentabilidade da Bunge na cadeia da soja. A empresa adotou, em 2015, o compromisso voluntário de construir cadeias de suprimento livres de desmatamento e, em 2024, informou ter alcançado 100% de rastreabilidade e monitoramento das compras diretas e indiretas de soja em regiões prioritárias do Brasil.

 

A Bunge mantém um Programa de Agricultura Regenerativa, que oferece assistência técnica, ferramentas, produtos e serviços aos produtores rurais com o objetivo de ampliar a adoção de práticas agrícolas de menor impacto ambiental e aumentar a oferta de matérias-primas rastreáveis e certificadas.

 

“Ao integrar a demanda e a oferta de produtos de baixo carbono, conectamos toda a cadeia de valor para investir, ao lado dos produtores rurais, na construção de um modelo de agricultura regenerativa de maior valor”, afirma Tito Martinho, diretor Comercial da Bunge.

 

Tito Martinho. Foto: Divulgação

 

Para o executivo, o projeto tem potencial para ampliar a participação brasileira nos mercados de combustíveis renováveis e atender a diferentes padrões internacionais de sustentabilidade e rastreabilidade.

 

A localização da futura biorrefinaria também é considerada estratégica pela Acelen. A unidade deverá ser capaz de processar diferentes matérias-primas renováveis, característica que pode ampliar a flexibilidade operacional, reduzir riscos de abastecimento e aumentar a eficiência logística do empreendimento.

 

Com a combinação da capacidade de originação da Bunge e da estratégia de diversificação de matérias-primas da Acelen, o acordo abre espaço para novos contratos envolvendo diferentes culturas agrícolas e fontes renováveis. O movimento reforça a formação, no Brasil, de uma nova cadeia industrial associada à transição energética, à descarbonização do transporte e à economia de baixo carbono.