4 de setembro de 2026
Cultura

Aula inaugural marca início de novo cíclo do Acelera Boca de Brasa

Texto: Luiz Otávio Freire | ASCOM FGM

Supervisão e Fotos: Carla Lucena | ASCOM FGM

Na noite da última quarta-feira (2), o Espaço Cultural da Barroquinha foi palco da Aula Inaugural do Acelera Boca de Brasa – Ano II. O momento proporcionou uma oportunidade de aprendizado e troca para representantes das 15 iniciativas artísticas e culturais selecionadas em Salvador. Realizado pela Prefeitura de Salvador, através da Fundação Gregório de Mattos (FGM) em parceria com a Associação Conexões Criativas, o programa oferece um percurso formativo e estratégico que se estende de setembro de 2026 a março de 2027. Com o objetivo de impulsionar a sustentabilidade de coletivos e artistas periféricos, o evento marcou o alinhamento de expectativas entre gestores, parceiros e proponentes sobre os desafios e o futuro da cena cultural soteropolitana.

O presidente da FGM, Fernando Guerreiro, esteve à frente do bate papo trazendo reflexões sobre o amadurecimento do Boca de Brasa, que foi criado simultaneamente ao nascimento da fundação, em 1986. Guerreiro pontuou que a missão do Boca de Brasa não mais se limita a descobrir talentos, mas dar prosseguimento a grupos que já possuem uma base estruturada de produção e direcionamento. O gestor cultural ainda ressalta a importância do suporte para evitar que os talentos nascidos das Escolas Criativas Boca de Brasa se percam. “A missão atual é acelerar. É fazer o que já aconteceu e o que já foi visto cresça ainda mais. Antes, surgiam talentos e grupos muito fortes, mas esse trabalho simplesmente acabava. Era angustiante ver coisas muito boas acabarem e desaparecerem”, declara.

Apresentando as expectativas para o ciclo que se inicia, o gerente do Boca de Brasa, Igor Tiago, demonstrou otimismo com a qualidade técnica das 15 propostas selecionadas, classificando-as como “trabalhos super sólidos de diversas linguagens artísticas”. Ele relembrou o impacto transformador do primeiro ciclo do programa, citando trajetórias de sucesso como as de Andrezza, Vittor Adél e Nega Fyah, que ganharam projeção e cruzaram fronteiras territoriais graças ao suporte formativo e financeiro do Acelera Boca de Brasa. “Esse novo ciclo promete uma trajetória de bastante aprendizado, de muita arte e de muita cultura. Temos ótimos projetos, boas propostas. Vejo um futuro brilhante para essa turma que está iniciando agora”, compartilha.

Entre as propostas que farão parte desse ciclo está o Coletivo CAOS (Cinema, Antropologia, Observação Social), iniciativa que atua na pesquisa, produção e difusão do cinema brasileiro, usando a tela como ferramenta para debater memória, gênero e sexualidade. Para o representante do grupo, Caíque Araújo, o Acelera representa uma oportunidade vital de capacitação e, principalmente, de viabilidade financeira. “Vai ser a primeira proposta do grupo em que todos os envolvidos vão conseguir ser remunerados minimamente”, celebra. O projeto que pretendem tirar do papel ao longo do programa é a produção do primeiro curta-metragem do coletivo, focado no romance entre duas mulheres.

Estrutura e Sustentabilidade 

Para viabilizar a dedicação média exigida de 20 horas semanais em mentorias, laboratórios e ensaios, o programa assegura um suporte financeiro. Cada iniciativa receberá um total de R$ 31,5 mil de apoio financeiro. Esse montante é dividido em uma Bolsa Estímulo de R$ 10,5 mil (paga em parcelas mensais para despesas básicas de participação como transporte e alimentação) e um Capital Semente de R$ 21 mil, voltado especificamente para a execução física do projeto desenvolvido durante o processo de aceleração.

Programa de Aceleração de Iniciativas Artísticas e Culturais é realizada pela Associação Conexões Criativas. A iniciativa foi contemplada nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura em Salvador, com recursos do Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura, executados pela Prefeitura de Salvador, por intermédio da Fundação Gregório de Mattos e da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, em parceria com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda. O programa é realizado por meio do Termo de Colaboração nº 01/2026, com recursos do Edital nº 02/2026 – Escolas Criativas Boca de Brasa: Aceleração de Iniciativas Artísticas e Culturais – Ano II.

Sobre a Associação Conexões Criativas

Fundada em 2009, a Associação Conexões Criativas é uma organização da sociedade civil sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento das artes, da comunicação, da educação, dos direitos humanos e da cultura. Atua na formulação, produção e gestão de projetos que fortalecem a economia criativa, promovendo formação, intercâmbio, ocupação artística, difusão cultural e geração de trabalho e renda.

Desde 2025, integra a Rede de Pontos e Pontões de Cultura de Salvador, após ser reconhecida pelo Prêmio Pontos de Cultura Salvador. Em parceria com a Fundação Gregório de Mattos e a Dimenti Produções Culturais, esteve à frente da gestão da Escola Criativa Boca de Brasa – Polo Cidade Baixa (2023) e do Acelera Boca de Brasa – Ano I (2024). Também desenvolveu projetos como CENA, SOM & FÚRIA, iluMINA!, TOCA!, o IC Encontro de Artes e participou da programação do Centro de Dança do Distrito Federal.