PT volta à zona de conforto ao investir nos próprios gabinetes do ódio
Para vencer as eleições de 2022, o presidente Lula e seu partido precisaram inventar uma história edificante. De que só eles seriam capazes de unificar o país contra a ameaça autoritária representada por Jair Bolsonaro. A tarefa seria pacificar o Brasil. Por isso, todos deveriam se juntar contra a política do ódio. Deu certo por uma pequena margem. O problema é que a estratégia contrastava com a agressividade histórica do PT de atacar sempre e negar até mesmo a legitimidade institucional de seus adversários, mesmo os moderados. Agora, com o discurso do “nós contra eles”, do “rico contra pobres”, ou mesmo do “Congresso inimigo do povo”, a natureza do escorpião petista voltou.

O discurso do “rico contra os pobres” é uma estratégia fortemente moral. Porque estar contra os menos favorecidos, em qualquer sociedade, tem algo de insensível, perverso. Coloca o adversário do lado do mal, na defensiva, assim sem delongas. É o PT no seu estilo histórico. Já carimbou na gestão de Fernando Henrique Cardoso a pecha de herança maldita. Transformou a hoje ministra Marina Silva em também inimiga dos miseráveis (na campanha presidencial de 2014, lembram-se?). O PT pediu o impeachment até mesmo do ex-presidente Itamar Franco – protocolado pelo então deputado federal Jaques Wagner. A lista de ataques lideradas por Lula em sua longa trajetória política pode render vários volumes.
No caso atual, irá dar certo? Só o tempo dirá. Assim como Trump, após invadir a Ucrânia, ou os israelenses, após bombardear o Irã, ou os Aiatolás, ao revidar, os ministros de Lula correram aos jornais para dizer que venceram a batalha. “Os trackings indicam que estamos corretos”, disse um deles, em off. A ver – estão cadastrando influencers para ajudá-los e a direita ainda não deu a sua resposta retórica nesse imbróglio.
Mas o Brasil está dividido entre o petismo e o antipetismo, parte ligado ao Bolsonarismo. A minoria que não tem paciência com nenhum dos lados é quem irá definir as eleições, provavelmente. Ainda não se sabe se foram consultados e o que acham. Ah, e para quem gosta de fatos, as tais isenções para os mais ricos incluem o Simples, a cesta básica, a Zona Franca de Manaus e as aposentadorias para doenças graves – não deixem de assistir o vídeo de Maria Carolina Gontijo — a Duquesa de Tax —, no Estadão, sobre o tema. A estratégia petista também se baseiam em fortes fake news.
Chega de repressão. Atacar apenas o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto e os bolsonaristas era muito pouco. Agora, finalmente, o PT pode contar com seus gabinetes de ódio para fustigar quem não está do mesmo lado. O universo de potenciais alvos está muito maior. Militância e bajuladores esfregam as mãos. Se equivalem aos métodos atribuídos ao filho 02 de Jair Bolsonaro, Carlos. Petistas e bolsonaristas odeiam ser comparados. Por motivos diferentes, alegam falsa simetria. Mas, a verdade é que são imensamente parecidos em suas visões intolerantes e sectárias sobre a sociedade à qual pertencem.
