23 de janeiro de 2026
Politica

STF acredita que eleições vão esvaziar CPI e pedidos de impeachment de ministros

BRASÍLIA — Os pedidos de impeachment contra ministros e o risco de abertura de uma CPI do Banco Master, que respingaria em integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), não devem avançar neste ano. A avaliação é de integrantes da corte, apostando que, com as campanhas eleitorais, o Congresso Nacional terá outras prioridades.

A percepção no Supremo é que os parlamentares estarão mais preocupados em 2026 com a realização das campanhas nas base e a aprovação da PEC da Segurança Pública, considerada fundamental em ano eleitoral. Com isso, ficaria difícil encontrar quórum suficiente para investir em ações contra o tribunal.

Congresso Nacional detém dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF e ameaça abrir uma CPI sobre o Banco Master
Congresso Nacional detém dezenas de pedidos de impeachment contra ministros do STF e ameaça abrir uma CPI sobre o Banco Master

Outra dificuldade, segundo fontes do Supremo, seria a pouca disposição dos presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP), em abrir uma CPI ou autorizar um processo de impeachment agora contra ministro do STF. Hoje, existem três pedidos de CPI sobre o Banco Master no Congresso.

Segundo a contabilidade do Supremo, há 87 pedidos de impeachment contra ministros aguardando deliberação do Senado. Desses, 38 foram protocolados no ano passado e um, neste ano. Ao menos 39 do total de pedidos de afastamento são contra Alexandre de Moraes.

O cerco político contra o STF se intensificou com a revelação de que a esposa de Moraes, a advogada Viviane Barci de Moraes, mantém um contrato milionário com o Master.

A mulher de Moraes também aparece como representante do Master em processo que investiga o empresário Nelson Tanure por crimes contra o mercado de capitais. O inquérito corre sob sigilo, e o banco figura como parte interessada no processo. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e confirmada pelo Estadão.

Em outra frente, dois irmãos de Dias Toffoli, o relator das investigações sobre o banco, teriam sido beneficiados em uma negociação com um fundo ligado ao Master. Eles eram sócios do resort Tayayá no Paraná e venderam suas cotas.

Um dos irmãos mora numa casa na cidade de Marília e a cunhada de Toffóli diz que a família não tem condições de ser sócia em resort, como noticiou o Estadão. “Essa casa é minha, financiei com o meu dinheiro, por 25 anos”, disse Cássia Toffoli. “Eu falei para as minhas irmãs que eu tenho vontade de sumir daqui. As pessoas ficam inventando coisas, que (José Eugênio) é dono do Tayayá”.

Decisões do ministro Dias Toffoli no caso Master têm sido questionadas publicamente. No último fim de semana, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) emitiu uma nota pública dizendo acompanhar com “elevada preocupação” as investigações relacionadas ao banco. A entidade ainda sustenta que Toffoli cria um cenário “atípico” que causa “perplexidade institucional” e “afronta às prerrogativas” da Polícia Federal.

Toffoli já havia determinado realização de acareação entre Vorcaro e um diretor do Banco Central antes mesmo o banqueiro prestasse depoimento. O instrumento da acareação costuma ser adotado para esclarecer contradições e, naquele momento, nenhum dos envolvidos havia sido interrogado pela PF.

A acareção não chegou a ser realizada, mas Toffoli enviou uma lista de perguntas para a delegada do caso fazer aos interrogados. O ministro também assinou um despacho determinando que material apreendido pelos policiais fosse lacrado. Depois, autorizou a remessa dos itens apreendidos ao Ministério Público e listou quatro peritos que poderiam ter acesso ao material.

 

 

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