Eleições 2026: segurança pública vira campo de batalha entre Lula e a direita
BRASÍLIA – Uma das principais preocupações dos brasileiros, a segurança pública pode dar a tônica da campanha eleitoral de 2026. Em uma eleição polarizada entre esquerda e direita, o tema pode direcionar um eleitorado decisivo.
Até o momento, além do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, podem se lançar ao pleito o senador Flávio Bolsonaro; e os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, do Paraná, Ratinho Junior, e o de Minas Gerais, Romeu Zema. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, por enquanto se diz inclinado a tentar a reeleição no Estado.
Após mandatos de Lula e Dilma Rousseff sem grandes marcas na área, correligionários admitem que o tema é o “calo” do PT. A estratégia sobre como conduzir essas discussões na campanha ainda está sendo desenhada e deve tomar corpo somente após o congresso que será realizado pelo partido em fevereiro para lançar a candidatura de Lula. Ainda assim, interlocutores do presidente têm afirmado que ele deve explorar mais as falhas dos adversários do que exaltar possíveis feitos da gestão.
A violência era a maior preocupação de 38% da população, segundo pesquisa da Genial/Quaest divulgada em novembro, quando o tema ocupou o centro dos receios dos brasileiros, superando as preocupações com Economia (15%). Nova pesquisa divulgada em janeiro mostra que a violência continua sendo a preocupação principal, mas com um índice mais baixo: chegando a 31% da população.
Historicamente, os governos petistas não conseguiram enfrentar frontalmente o problema da segurança pública. Há uma resistência dentro do partido em abordar a questão, com o receio de que as medidas adotadas se distanciem dos ideais progressistas, com criminalização da população mais pobre.
“A grande fragilidade é que o governo não assumiu desde o começo e até hoje não assume a segurança pública como uma grande prioridade”, analisa a diretora-executiva do Instituto Sou da Paz e especialista no tema, Carolina Ricardo. “A gente viu um governo que não foi capaz de se antever às crises e formular uma uma visão mais estruturada para segurança pública.”
Para ela, o Ministério da Justiça e Segurança Pública ficou isolado ao longo do terceiro mandato e mesmo o presidente Lula teve dificuldade de se apropriar do tema. Nas últimas semanas, o governo voltou a debater internamente a possibilidade de criar um ministério para a área, mas a ideia não avançou.
A inércia do governo tem gerado críticas mesmo de governistas, que consideram que a gestão tem escolhido “burocratas” para tratar do tema ao invés de atacar de fato a questão. Na prática, a atuação mais marcante de um governo petista na área ocorreu na Bahia e é considerada um “desastre”. Mesmo comandado há cerca de 20 anos pelo PT, o Estado tem a Polícia Militar mais letal do Brasil.
Em termos de iniciativas lançadas, um dos elementos que podem ser explorados pelo presidente é a efetividade de operações realizadas pela Polícia Federal, como a “Carbono Oculto”, a maior da história para combater a infiltração do crime organizado na economia. A ação desmantelou um esquema de uso de postos de combustíveis pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavar dinheiro.
Na gestão do ministro Ricardo Lewandowski, as principais marcas na segurança foram por meio de propostas legislativas. O ministro focou na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para reforçar as prerrogativas da União em atuar na segurança pública que constitucionalmente fica sob responsabilidade principal dos Estados. A PEC, no entanto, sofreu oposição de parte dos Estados e foi amplamente modificada no Congresso. Outro projeto enviado pelo Executivo, o PL Antifacção, tenta endurecer o combate a organizações criminosas sobretudo por meio do braço financeiro. O texto foi aprovado no Senado, com mudanças, e será novamente analisado pela Câmara.
A falta de capacidade de articulação no Congresso é vista como um dos principais entraves para avanços na área de segurança mesmo por membros do governo. A baixa capacidade de articulação tanto da Secretaria de Relações Institucionais (SRI) quanto da Secretaria Nacional de Assuntos Legislativos do Ministério da Justiça, que tensiona o debate sobre o tema, acabaram enterrando a PEC.
“Tanto o Ministério da Justiça, quanto o próprio governo federal não têm tido força no Congresso e não conseguem articular. Então, apostar como principal estratégia, uma estratégia legislativa, não é o mais acertado. Por outro lado, quando a PEC foi foi apresentada, foi o momento em que o governo conseguiu pautar o tema, porque, em geral, esse é um tema em que o governo é pautado”, observa Carolina Ricardo.
Ela pondera, no entanto, que será difícil colher frutos dessas iniciativas. “A PEC foi completamente desfigurada. Então, o risco é que os projetos saiam muito ruins”, diz.
Outra iniciativa lançada por Lula foi o “Programa Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas” (Enfoc), ainda durante a gestão do ex-ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, em 2023. O plano inclui cinco eixos que vão desde a proteção de portos, aeroportos e fronteiras até integração de informações e aumento da eficiência dos órgãos policiais.
Próximo do fim do mandato, indicadores da política mostram que ela avançou em alguns pontos, embora tenha perdido o protagonismo com a troca de ministro na pasta. Em 2024 e 2025 foram recuperados R$ 875,9 milhões em bens e ativos do crime organizado pela PF e por Polícias Civis, relacionados ao tráfico de drogas. O governo também implementou 21 novas unidades de recuperação de ativos para fazer esse trabalho.
Entre 2024 e 2025, 15 operações e 38 apoios em operações foram realizadas no âmbito do Enfoc. A partir da política, a rede também mapeou pelo menos 45.735 vínculos entre pessoas e organizações criminosas. Desde que foi lançado, segundo o MJSP, o Enfoc produziu 5.487 documentos de inteligência, que foram repassados para um total de 27.250 agências de inteligência.
Por outro lado, havia a previsão de criação de um Centro Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas, o que não aconteceu. O MJSP afirmou que estuda criar o Observatório Nacional das Orcrims, mas ainda não há data definida. O plano de defesa para ações de domínio de cidades previsto pelo programa também não foi criado. Segundo o MJSP, foi elaborado um curso sobre o tema que tem sido passado para os Estado.
Em novembro, a Fundação Perseu Abramo, ligada ao PT, publicou um documento de 60 páginas para subsidiar o debate da Segurança Pública no partido. Entre os pontos abordados estão a recriação do Ministério da Segurança Pública, criação de uma Guarda Nacional Permanente de Caráter Civil e um programa nacional de policiamento de proximidade.
Lula x Flávio Bolsonaro
A campanha de Flávio Bolsonaro se prepara para explorar “escorregões” de Lula durante discursos públicos. Uma das declarações foi dada pelo presidente durante viagem à Indonésia, quando criticou política do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de combater com Forças Armadas cartéis do narcotráfico na América Latina.

Pré-candidato do ex-presidente Jair Bolsonaro, o senador Flávio Bolsonaro além de criticar a gestão petista, teria a explorar o mesmo discurso do pai. Um dos pontos amplamente citados pelo ex-presidente na área era a queda de homicídios no País durante o mandato, embora especialistas atribuam essa redução à atuação dos Estados.
Em declarações recentes, mesmo sobre temas que não são diretamente relacionados à segurança, Flávio tem utilizado o espaço para relacionar Lula à impunidade do crime organizado.
No início do mês, após o presidente vetar o PL da Dosimetria, que reduz penas para os condenados pela tentativa de golpe de Estado, o senador comentou sobre o tema e aproveitou para criticar a atuação de Lula na segurança.
“Enquanto isso, criminosos seguem roubando e matando por um celular nas ruas do Brasil”, escreveu em publicação no “X”.
Pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira, 21, mostra que em um eventual segundo turno Lula superaria todos os candidatos cotados. Contra Flávio Bolsonaro o petista tem 49,2% das intenções de voto ante 44,9% do bolsonarista.
Em entrevista ao Estadão, o ministro da Secretaria-geral da Presidência, Guilherme Boulos deixou claro que na campanha, em possíveis embates com Flávio sobre o tema da segurança, Lula abordará temas espinhosos para o bolsonarista.
“Estou doido para o Flávio Bolsonaro, se for o candidato, falar de segurança pública. Por quê? Porque a gente vai falar de milícia do Rio de Janeiro, de Rio das Pedras, de Adriano da Nóbrega, que teve o familiar assessor no gabinete dele, de escritório do crime”, disse Boulos. “Qual é a autoridade moral do Flávio Bolsonaro para falar de segurança pública? Nesse ponto, nós estamos preparados para fazer debate com qualquer um.”
Ao longo de seu mandato no Senado, Flávio presidiu em 2025 a Comissão de Segurança Pública da Casa e tem proposições relacionadas à área. Entre elas, estão propostas que derrubam decretos do atual governo para disciplinar o uso da força policial. Outro projeto de Flávio quer conceder porte de arma de fogo a advogados, para defesa pessoal.
O tema do acesso das armas é um dos principais abordados pelo senador ao longo de sua atividade parlamentar. Em julho de 2023, quando o governo Lula editou um decreto apertando o controle sobre a circulação de armas no País, Flávio afirmou que Lula “assinou sentença de morte para muitas pessoas que não vão poder se defender mais”.
Com a retomada dos trabalhos no Congresso em fevereiro há expectativa de que um projeto do senador sobre o tema seja votado na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Casa. A proposta autoriza a instalação de fábricas civis de armas e munições no Brasil.
Na visão da especialista Carolina Ricardo, o discurso de Flávio caso se torne candidato deve girar principalmente em torno de visões cristalizadas da extrema direita na área:
“Ele não tem realmente um repertório de políticas de segurança pública. Ele reproduz um pouco essa lógica, que o irmão dele, o Eduardo, também faz, que é: ‘vamos armar todo mundo’. E uma defesa meio irrestrita da atividade policial”, analisa.
Nesse sentido, ela explica que apostar somente em explorar esse discurso pode facilitar a estratégia dos adversários que tentem aprofundar o debate. “Ele vai dizer: ‘Vamos acessar as armas, é um direito de defesa’. Mas como é que a gente enfrenta o tráfico de armas? Como é que a gente evita a entrada de armas legais no crime organizado?”, exemplifica.
Lula x Ronaldo Caiado
Correndo por fora nas pesquisas eleitorais, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, marcaria 39% no segundo turno, contra 49% do petista. A segurança pública é o principal eixo da gestão Caiado no Estado. Com o mote de que Goiás é “o Estado mais seguro do Brasil”, repetido em seus discursos, o governador se coloca como principal opositor das propostas do governo Lula na área, como a PEC da Segurança Pública.
No final de 2024, em uma reunião de Lula com governadores no Palácio do Planalto para debater a proposta, o presidente e o governador trocaram farpas publicamente. Na ocasião, após falas de Caiado, Lula ironizou dizendo que Goiás era o “único Estado que não tem problema de segurança”.
O discurso do governo está afiado em relação ao tema. Segundo o ministro Guilherme Boulos, Lula teve a “coragem” de chamar a responsabilidade sobre o tema ao enviar a PEC.
“Está parada lá. Os governadores de direita contra, a maior parte do Centrão contra, vamos fazer esse debate na campanha eleitoral? Por que eles são contra que o governo do Brasil assuma mais responsabilidade na segurança pública? Eles estão dando conta sozinhos? Não me parece. E acho que essa também não é a percepção da maioria do povo brasileiro”, disse.
Dados do Anuário brasileiro mostram a queda expressiva no número de homicídios dolosos em Goiás. Antes de Caiado assumir o governo, foram registrados 2025 crimes desse tipo em 2018. O último número divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, referente a 2024, mostra o registro de 960 homicídios dolosos, o que representa uma queda de 52,59%.
A letalidade policial também caiu, passando de 425 mortes em decorrência de intervenção das forças de segurança em 2018 para 372 em 2024, uma redução de 12,47%. Ainda assim, o número representa quase 40% do total de mortes violentas no Estado, um índice considerado alto por especialistas.
A pesquisadora Bartira Miranda, conselheira do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, analisa que ainda que o modelo adotado por Caiado venha reduzindo os índices, é preciso que haja políticas de longo prazo voltadas para uma mudança estrutural na área e não apenas reforço na repressão dos crimes. Nesse sentido, ela afirma que é preciso que haja uma integração das instituições do Estado com a União.
“É só uma política de governo, não é uma política de Estado”, comenta. “A gente precisa de uma política nacional de segurança pública e que fosse possível fazer a integração da União com os Estados, porque isso é interpretado como uma invasão de competência da União nos Estados. Mas não é invasão de competência, é uma necessidade real”, explica.
O Estadão procurou o governador, mas não obteve resposta.
Lula x Ratinho Junior
Assim como o governador de Goiás, o governador do Paraná, Ratinho Junior, também investe no bordão “Aqui, bandido muda de profissão ou vai embora”.
O governador paranaense tem explorado a segurança pública em seus discursos e reforçado comunicações sobre o tema. Em dezembro, o Ratinho lançou uma nova campanha publicitária com foco na área. “A segurança pública do Paraná está no melhor momento da sua história”, destaca o vídeo publicitário.
Considerando dados do Anuário Brasileiro da Segurança Pública, o Estado do Paraná registrou uma redução de cerca de 14,9% nos índices de homicídio doloso nos anos de gestão de Ratinho Junior. Em 2018, antes de Ratinho assumir o governo, o Paraná registrou 1955 homicídios dolosos. Já em 2024, foram 1663.
Em um cenário de segundo turno contra Lula, Ratinho alcançaria, segundo pesquisa mais recente, 39% do eleitorado, contra 49% para o petista.
Na última quarta-feira, Ratinho afirmou que aceitará o “desafio” de se candidatar à Presidência caso seja escolhido por seu partido, o PSD, que faz parte da base do governo Lula.
Em publicação recente, o PSD destacou os feitos do governo Ratinho na área da segurança. “A gestão do governador do Paraná, Carlos Massa Ratinho Junior(PSD), tem bons resultados para mostrar na área de segurança pública”, propagandeou.
O partido citou dados sobre roubos, apontando uma queda de 16,5% nessas ocorrências entre janeiro e outubro de 2025, usando como base as informações prestadas pelos Estados ao MJSP.
Ao Estadão, o governador Ratinho Junior afirmou que “segurança pública é um tema prioritário para o Paraná”. E defendeu que “os estados precisam ter autonomia para aplicação de leis penais mais severas.“
Em nota enviada à reportagem, destacou que o orçamento da área passou de R$ 2 bilhões em 2019 para R$ 8 bilhões em 2025. O governador citou investimentos em infraestrutura, como a compra de 20 helicópteros e equipamentos de visão noturna, tasers, óculos de visão noturna, entre outros. Ratinho destacou ainda o investimento nas forças de segurança, com criação da Polícia Penal no Estado e aumento do efetivo da PM (4 mil novos policiais) e da polícia civil (1,6 mil novos policiais).
“O Estado registrou redução de 29% nos homicídios dolosos entre janeiro e setembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024. É o melhor resultado da série histórica. Furtos e roubos de veículos também estão nos menores patamares da série histórica”, afirma.
O governador destaca ainda o programa “Olho vivo”, com instalação de 26 mil câmeras para auxiliar na resolução de crimes e rastreio de foragidos. Além do programa “Fronteira segura”, com instalação de 11 bases ao longo do território.
Lula x Romeu Zema
Em Minas Gerais, o cenário para o governador Romeu Zema é adverso. O Estado foi um dos quatro no País que registrou aumento no número de homicídios dolosos de 2023 para 2024. Minas passou de 2.949 crimes desse tipo para 3.130. Considerando os dados de 2018, antes de o governador assumir o comando do Estado, também houve aumento. Naquele ano foram 3.095 homicídios dolosos.
Segundo pesquisa AtlasIntel, em disputa com Zema, Lula venceria por 49% a 39%. O governador tem endossado críticas à PEC da segurança pública e à postura do governo federal sobre na área.
Zema é um dos integrantes do chamado “Consórcio da Paz”, grupo criado por governadores de direita para que Estados se apoiem no enfrentamento ao crime organizado. O consórcio foi criado após a Operação Contenção no Rio de Janeiro, que deixou 122 pessoas mortas, sendo a mais letal da História no Estado. Na ocasião, ao criticar a postura do governo Lula em condenar o número de mortes, Zema disse que a gestão federal romantiza o problema da segurança.
Outro problema observado em Minas por pesquisadores da área é a infiltração do crime organizado no Estado nos últimos anos. De acordo com Luis Sapori, professor da PUC-MG e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
“A acentuação do crime organizado em Minas é um legado do governo dele. O crime organizado está como nunca em Minas Gerais. Temos sinais visíveis da presença de facções pelas pichações em muros, pelas prisões que a polícia está fazendo e a vinculação que essas pessoas assumem com algumas facções. Nos últimos cinco anos isso se acentuou na região metropolitana”, analisa.
Nesta semana, uma disputa entre facções alterou até mesmo rotas de ônibus no bairro Barreiro, na região metropolitana de Belo Horizonte. Após confrontos com a polícia, quatro suspeitos foram presos. O governador comentou sobre o tema em suas redes sociais na terça-feira, 21. Zema classificou o problema do crime organizado como o “maior câncer do Brasil”. E elogiou a atuação da polícia mineira.
“Aqui em Minas não tem um pedaço de terra que a nossa polícia não entre. E bandido que quiser duvidar disso vai enfrentar um problemão”, disse.
O Estadão questionou o governador sobre o tema, mas não obteve resposta.
Lula x Tarcísio de Freitas
Um eventual embate entre Lula e Tarcísio nas eleições presidenciais teria um ingrediente amargo para os dois lados. A atuação dos gestores na área tem média semelhante de reprovação junto à opinião pública.
Em agosto, conforme levantamento da Quaest, 36% dos eleitores classificavam a gestão Tarcísio na segurança como negativa. Pesquisa AtlasIntel mostrou que no segundo turno, Lula superaria Tarcísio por 49,1% a 45,4%.
Durante a campanha, a artilharia de Lula pode se voltar para os casos de abuso cometidos pela polícia, que foram vistos com maus olhos pela opinião pública.
São Paulo está entre os seis Estados do País com maior letalidade policial. Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, entre as mortes violentas intencionais do Estado em 2024, 21,7% foram causadas por intervenção policial. O porcentual cresceu de maneira acentuada em relação ao ano anterior, quando a taxa foi de 14,5%.
O pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ, Daniel Edler, destaca que o atual governador interrompeu uma política de controle da letalidade policial que vinha sendo implementada nas gestões anteriores, de João Doria e Rodrigo Garcia. “Certamente um candidato que venha de centro esquerda vai bater nisso”, analisa.
Joga a favor de Tarcísio a redução de índices importantes como mortes violentas intencionais, homicídios e roubos. Dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, São Paulo é o Estado brasileiro com menor taxa de mortes violentas intencionais por 100 mil habitantes, com 8,2. O índice do Brasil é de 20,8.
As mortes violentas intencionais incluem, entre outros, homicídios dolosos e latrocínios (roubo seguido de morte). Um dos pontos que tem sido explorado pelo governador é a queda de homicídios.
Em nota, o governador Tarcísio falou especificamente sobre os dois primeiros anos de sua gestão, afirmando que houve redução de 25% das mortes em decorrência de confrontos policiais em relação ao mesmo período da gestão anterior, de João Doria. Disse ainda que todas as ocorrências do tipo são “rigorosamente investigadas” e que a secretaria estadual mantém ações para reduzir a letalidade.
Ao Estadão, o governador afirmou em nota que foi feito um investimento de R$ 1,2 bilhão em infraestrutura e equipamentos na área. Além disso, afirma que houve reforço no efetivo policial e destaca o “uso da inteligência e da tecnologia é outro pilar dessa estratégia”. Um dos programas destacados é o “Muralha Paulista”, que integra sistemas para videomonitoramento.
