6 de maio de 2026
Politica

Haddad quer candidato a vice em SP no estilo Alckmin para atrair o centro na disputa contra Tarcísio

Falta apenas um mês para o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), deixar a equipe de Lula. Embora não admita oficialmente a candidatura ao governo de São Paulo, o que Haddad procura, agora, é uma espécie de “novo Alckmin”: alguém com perfil de centro, e bom relacionamento com o empresariado, para fazer dobradinha com ele e ocupar a vaga de vice na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.

A ideia é montar uma chapa que não seja puro-sangue nem “pão com pão”, como costuma dizer o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas um arranjo que ultrapasse as fronteiras da esquerda não é tão fácil assim: em primeiro lugar, depende de encontrar novos aliados em um cenário no qual a candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à reeleição aparece como favorita.

Haddad resistiu o quanto pôde a entrar no páreo, mas Lula disse a ele que não era possível arriscar para fazer “experiências” em São Paulo. Pesquisas já mostram o avanço do senador Flávio Bolsonaro (PL), desafiante do presidente, que precisa de palanques fortes em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do País.

Tebet, Alckmin e Haddad: em busca de acordos para ultrapassar as fronteiras da esquerda
Tebet, Alckmin e Haddad: em busca de acordos para ultrapassar as fronteiras da esquerda

Em reunião do Grupo de Trabalho Eleitoral do PT, nesta segunda-feira, 2, dirigentes do partido informaram que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) será candidato ao governo de Minas. Mas Lula terá de entrar em campo porque o MDB de Minas e o União Brasil, partidos cogitados para abrigar o senador – que está de saída do PSD –, planejam aderir à campanha de Flávio.

Geraldo Alckmin, por sua vez, continuará como vice de Lula na chapa da reeleição, a não ser que haja uma reviravolta de última hora. Como mostrou o Estadão, o presidente já o escalou para ajudar Haddad a angariar votos no interior paulista. Detalhe: foi justamente Haddad quem aproximou Lula de Alckmin na campanha de 2022 contra Jair Bolsonaro. Antigo adversário do PT, o ex-tucano – hoje também ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – assumiu ali o papel de nova versão da Carta ao Povo Brasileiro, que marcou a disputa de 2002.

Apesar dos acenos feitos por petistas na direção do MDB, nenhuma conversa sobre apoio da sigla, em troca da vice de Lula, foi adiante. A portas fechadas, o ex-ministro José Dirceu afirmou que tirar Alckmin da chapa poderia até mesmo custar a reeleição de Lula.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, será candidata ao Senado e negocia a migração para o PSB, uma vez que o MDB, seu atual partido, está fechado com Tarcísio em São Paulo.

Há dúvidas no Palácio do Planalto sobre o que oferecer ao ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), que também desejava concorrer ao Bandeirantes. França é muito próximo de Alckmin e chegou a ser governador de abril de 2018 a janeiro de 2019.

Nesse jogo, a segunda vaga ao Senado por São Paulo também virou motivo de impasse: a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, deixará a Rede por divergências com o grupo da deputada Heloísa Helena e está disposta a voltar para o PT.

A ala ambientalista do partido, no entanto, tem ressalvas a Marina. O argumento é que o PT não conseguiu emplacar quase ninguém no ministério comandado por ela e os poucos que lá estão foram por indicação da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja. Na prática, porém, o PT não vai apitar nessa decisão: como sempre, quem dará a palavra final será Lula.

 

 

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