MP Militar cita ‘soldado que passa mão nas colegas’ e alerta para 9 tipos de assédio na caserna
O Ministério Público Militar (MPM) citou nove exemplos reais de assédio sexual e moral, e afirmou que “esses crimes são levados muito a sério no ambiente militar”, ao orientar as mulheres que entraram nesta semana nas Forças Armadas. Esta geração é a primeira turma do alistamento feminino voluntário da história do País.
Um documento feito pelo órgão traz dez exemplos concretos de casos de assédio sexual e moral, entre outros crimes investigados pelo Ministério Público Militar. Não há referências a vítimas ou detalhes sigilosos dos episódios. Veja a lista:
- Assédio sexual: “Sargento pressiona recruta com elogios insistentes e convites para encontros após o expediente”;
- Importunação sexual: “Soldado que passa a mão nas colegas”;
- Fake nudes com IA: “Soldado gera imagens falsas de colega e espalha em grupos do aplicativo e nas redes sociais”;
- Compartilhamento de nudes ou fake nudes: “Recruta tem foto com roupa manipulada para parecer sem roupa divulgada em grupo de mensagens”;
- Assédio moral: “Recruta é chamada de ‘inútil’ e ‘peso morto’ pelo seu superior, mesmo cumprindo suas funções corretamente;
- Assédio moral: “Soldado é isolada do grupo e tratada sempre com gritos e xingamentos”;
- Bullying: “Recruta cria apelidos ofensivos para colegas e os repetem para outras pessoas escutarem”;
- Bullying: “Grupos que excluem uma colega das atividades e a ignoram propositalmente”;
- Cyberbullying: “Grupo de soldados cria perfil falso no Instagram para zombar de uma recruta, usando montagens e frases ofensivas”.

‘Documente cada conduta do assediador’, orienta cartilha
“Documente cada conduta do assediador, anotando todos os detalhes, como a data, local e horário dos fatos. Guarde todo o material”, afirma outra cartilha do MPM, intitulada “Assédio na Caserna: dizer ‘não’ não é insubordinação!”.
O documento ainda ressalta que casos de assédio moral “não são brincadeiras nem parte da rotina militar”: “São abusos que ferem a dignidade da pessoa e podem ser denunciados”. Para incluir as mulheres na defesa nacional, é necessário que as Forças Armadas tenham “igualdade e respeito em toda a tropa”, de acordo com o Ministério Público Militar.
1.467 mulheres atuarão nas Forças em 13 estados e no Distrito Federal
As 1.467 selecionadas entrarão nas Forças nas hierarquias iniciais: como soldados, no Exército e Aeronáutica, e como marinheiros-recrutas na Marinha, feito inédito. Cerca de 70% vão atuar no Exército, 20% na Aeronáutica e 10% na Marinha.
As militares trabalharão em 51 cidades em 13 Estados e no Distrito Federal. Como mostrou a Coluna do Estadão, o Exército estimou um gasto de R$ 48 milhões com as obras para adequar suas instalações para a chegada das mulheres, a exemplo de banheiros e hospedarias. Todas as 45 unidades da Força que receberão as soldados foram reformadas.
Até o mês passado, havia cerca de 37 mil mulheres militares no Brasil, o equivalente a 10% do efetivo total. Elas ocupam cargos específicos nas Forças, especialmente em saúde, logística e ensino, de modo temporário ou permanente.
Esse grupo, contudo, ainda não participava do alistamento geral voluntário no começo da carreira, aos 18 anos. Para os homens, o alistamento é obrigatório.
