26 de março de 2026
Politica

PF colhe depoimento de blogueiro alvo do inquérito das fake news por reportagens sobre carro de Dino

BRASÍLIA – O jornalista Luís Pablo Conceição Almeida, investigado pela Polícia Federal por “monitoramento ilegal” contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino presta depoimento na tarde desta sexta-feira, 13.

Responsável pelo site Blog do Luís Pablo, ele virou investigado pelo crime de perseguição depois de publicar reportagens, em novembro, sobre uso de carro oficial por Flávio Dino e familiares em São Luís (MA).

A ordem de busca e apreensão, cumprida na terça-feira, 10, foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news, que completa sete anos em aberto neste sábado, 14.

Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão de jornalista por reportagens sobre Flávio Dino
Alexandre de Moraes autorizou busca e apreensão de jornalista por reportagens sobre Flávio Dino

Dino afirma que sua equipe detectou um monitoramento e ameaças à segurança e levou o caso à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República.

O caso inicialmente tramitou sob cuidados do ministro Cristiano Zanin. O magistrado entendeu haver paralelos com o inquérito das fake news e repassou a investigação ao relator, Moraes.

O depoimento será prestado na sede da Polícia Federal em São Luís, mas por videoconferência com policiais de Brasília.

No despacho em que determinou a busca, Moraes afirmou que o autor “se valeu de algum mecanismo estatal para identificação e caracterização dos veículos”, o que teria permitido “exposição indevida relacionada à segurança de autoridades”. A PGR concordou com o pedido de busca e apreensão.

Em reportagens publicadas a partir de novembro, Luís Pablo afirma que Flávio Dino estaria utilizando, em São Luís, um veículo oficial pertencente ao Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA) adquirido com recursos do Fundo Especial de Segurança dos Magistrados (Funseg-JE), destinado à proteção institucional de magistrados e às atividades do Judiciário estadual.

Segundo a publicação, o veículo passou a ser usado pelo ministro e por familiares em deslocamentos privados na capital maranhense de forma contínua. O carro, um Toyota SW4, seria da frota restrita do tribunal e originalmente estaria destinado ao uso do presidente do TJ-MA, corregedores ou ao apoio eventual a autoridades em missão oficial.

Em nota conjunta, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) manifestaram preocupação quanto a decisão de Moraes.

As entidades apontam que a atividade jornalística possui proteção constitucional do sigilo da fonte. Segundo a nota, qualquer medida que viole essa garantia representa ameaça ao livre exercício do jornalismo. Já Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a determinação de Moraes por avaliar que ela coloca toda a categoria em risco.

 

 

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